Um estudo recente identificou genes de resistência à colistina — um antibiótico de último recurso — em mariscos importados vendidos em mercados da cidade de Atlanta, nos Estados Unidos. A descoberta levanta preocupações sobre a disseminação global da resistência antimicrobiana através da cadeia alimentar.
A colistina é usada apenas em casos extremos de infeções bacterianas resistentes a outros antibióticos. Contudo, desde 2016 sabe-se que a resistência à colistina pode ser transferida lateralmente entre bactérias por meio de plasmídeos, estruturas genéticas móveis. Agora, investigadores da Universidade da Geórgia isolaram estes genes, conhecidos como mcr, em camarões e vieiras importados.
Os mesmos genes e hospedeiros bacterianos já haviam sido encontrados pelo grupo em águas residuais, o que sugere que os alimentos importados podem ser uma via importante para a propagação da resistência.
A Organização Mundial da Saúde classifica a colistina como uma prioridade crítica para a saúde humana. Os investigadores alertam que esta resistência pode ultrapassar fronteiras com facilidade, exigindo sistemas de monitorização mais robustos e cooperação internacional urgente para conter a ameaça crescente da resistência antimicrobiana.