Um novo estudo internacional alerta para os perigos do uso precoce de smartphones, revelando que crianças com menos de 13 anos apresentam maior propensão para pensamentos suicidas, baixa autoestima, perturbações emocionais e comportamentos agressivos.
A investigação, publicada no Journal of the Human Development and Capabilities, analisou os perfis de saúde mental de 100 mil jovens entre os 18 e os 24 anos. Os dados mostram que quanto mais cedo se começa a utilizar um smartphone, piores são os indicadores de saúde mental — incluindo distanciamento da realidade e dificuldades de regulação emocional.
As raparigas parecem ser mais afetadas do que os rapazes: 9,5% das inquiridas indicaram estar a enfrentar sérios problemas de saúde mental, contra 7% dos rapazes. Além disso, o estudo associa o uso precoce de smartphones a maior vulnerabilidade ao ciberbullying, distúrbios do sono e degradação das relações familiares.
A investigadora principal, Tara Thiagarajan, defende uma regulação semelhante à do álcool e do tabaco, com proibição do acesso a smartphones por menores de 13 anos, bem como restrições às redes sociais e programas de literacia digital obrigatórios.
Face às conclusões do estudo, vários países europeus estão a implementar medidas. França, Países Baixos, Itália e outras regiões espanholas já proíbem o uso de telemóveis em todas as escolas. Portugal prepara-se para aplicar uma interdição semelhante nos dois primeiros ciclos do ensino básico a partir do próximo ano letivo.
Paralelamente, discute-se a nível europeu a imposição de limites ao acesso às redes sociais por menores de 15 anos, com legislação como a Lei dos Serviços Digitais e o RGPD a reforçarem a proteção das crianças no ambiente online.