Um novo estudo do Centro Médico da Universidade Vanderbilt, publicado este mês, revela que alguns idosos mantêm a mente excepcionalmente lúcida até aos 80 anos ou mais graças a uma vantagem genética significativa. Os investigadores descobriram que estes “superidosos” apresentam menor probabilidade de portar o gene APOE-ε4, fortemente associado ao risco de Alzheimer, e maior presença do alelo APOE-ε2, conhecido por oferecer proteção contra a doença.
A análise incluiu dados genéticos e clínicos de 18.080 participantes em oito bases nacionais de envelhecimento, tornando este o maior estudo já realizado sobre pessoas de idade avançada. Os superidosos foram definidos com base em desempenhos cognitivos superiores à média de adultos com 50 a 64 anos, mostrando que algumas pessoas conseguem preservar a função cerebral a níveis comparáveis a indivíduos 20 ou 30 anos mais jovens.
Os resultados mostraram que estes idosos têm 68% menos probabilidade de possuir o gene de risco APOE-ε4 do que indivíduos com Alzheimer da mesma idade, e 28% mais probabilidade de apresentar o alelo protetor APOE-ε2 em comparação com adultos cognitivamente normais da mesma faixa etária. Estes dados reforçam a importância de fatores genéticos na preservação da função cognitiva e abrem caminhos para futuras pesquisas sobre prevenção da demência.
Segundo a investigadora Leslie Gaynor, “o fenótipo de superidoso será útil para identificar mecanismos que conferem resiliência ao Alzheimer e para compreender como algumas pessoas envelhecem com cérebros notavelmente saudáveis”. Os investigadores destacam que, embora os resultados sejam promissores, ainda são necessários mais estudos para compreender completamente como estas variantes genéticas influenciam a longevidade cognitiva.