Um estudo conduzido por investigadores da Universidade da Califórnia em San Diego concluiu que as mulheres podem ser mais afetadas pelos fatores de risco associados à doença de Alzheimer e outras formas de demência do que os homens. A investigação, publicada na revista científica Biology of Sex Differences, analisou dados de mais de 17 mil adultos de meia-idade e idosos nos Estados Unidos.
Os cientistas identificaram que condições como hipertensão arterial, obesidade, diabetes, depressão, sedentarismo e problemas de sono têm um impacto mais acentuado na função cognitiva feminina. Segundo o investigador, estas diferenças poderão ajudar a explicar porque as mulheres representam quase dois terços dos casos de Alzheimer registados no país.
O estudo revelou ainda que as mulheres apresentam taxas mais elevadas de depressão, inatividade física e perturbações do sono, enquanto os homens registam maior incidência de perda auditiva, diabetes e consumo excessivo de álcool. No entanto, alguns fatores considerados mais comuns nos homens, como o diabetes e a perda auditiva, serão mais fortemente associados ao declínio cognitivo nas mulheres.
A principal autora da investigação, Megan Fitzhugh, defendeu que as estratégias de demência devem ser evitadas adaptadas ao sexo dos pacientes, privilegiando abordagens mais personalizadas. Já a investigadora Judy Pa alertou que as diferenças entre homens e mulheres continuam a ser negligenciadas em diversas áreas da investigação médica, incluindo doenças neurodegenerativas.
Os investigadores investigaram que muitos dos fatores de risco podem ser reduzidos através de mudanças no estilo de vida e de um melhor acompanhamento médico, sobretudo no controlo da saúde cardiovascular, da atividade física e da saúde mental. A equipa sublinha ainda que serão necessários novos estudos para compreender a forma mais aprofundada porque o cérebro feminino parece reagir de forma diferente aos fatores associados à demência.