A meia-idade está a tornar-se um período cada vez mais difícil para muitos norte-americanos, sobretudo para os nascidos nas décadas de 1960 e 1970, segundo um estudo da Universidade Estadual do Arizona. Comparativamente às gerações anteriores, estes adultos relatam níveis mais elevados de solidão e depressão, bem como um declínio mais acentuado da força física e da memória, uma tendência que contrasta com o que se observa noutras economias desenvolvidas.
A investigação, publicada na revista Current Directions in Psychological Science, analisou dados de 17 países e concluiu que os Estados Unidos se destacam negativamente. Em várias nações europeias, especialmente no Norte da Europa, os indicadores de saúde e bem-estar na meia-idade têm vindo a melhorar, enquanto nos EUA se verificam sinais persistentes de deterioração física e psicológica.
Entre as principais explicações apontadas estão a fragilidade das políticas de apoio às famílias e o acesso limitado aos cuidados de saúde. Ao contrário de muitos países europeus, os Estados Unidos não dispõem de sistemas abrangentes de licenças parentais remuneradas, apoios financeiros às famílias ou creches subsidiadas. Além disso, apesar de elevados níveis de despesa em saúde, os custos directos para os cidadãos são elevados, o que contribui para o stress financeiro, o endividamento e a redução dos cuidados preventivos.
O estudo destaca ainda o impacto da desigualdade de rendimentos e da fragilidade das redes de protecção social. A insegurança económica, a mobilidade geográfica frequente e o enfraquecimento dos laços comunitários tornam mais difícil enfrentar as exigências da meia-idade. Os autores defendem que, embora o apoio social e o envolvimento comunitário sejam fundamentais a nível individual, só políticas públicas mais robustas poderão inverter esta tendência e melhorar o bem-estar nesta fase da vida.