Reino Unido precisa de reformas estruturais para aproveitar potencial da inteligência artificial

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a inteligência artificial (IA) representa uma oportunidade transformadora para recuperar a produtividade do Reino Unido, depois de duas décadas de crescimento económico enfraquecido.

Num relatório recente, a instituição destaca que a desaceleração britânica foi impulsionada sobretudo pelo fraco crescimento da produtividade total dos factores, mas sublinha que o país está bem posicionado para beneficiar dos avanços da IA.

Segundo o FMI, a economia e a força de trabalho britânicas estão concentradas em sectores e profissões onde as ferramentas de inteligência artificial generativa podem gerar ganhos significativos de produtividade e redução de custos. No entanto, a organização alerta que esses benefícios não serão automáticos e dependem da resolução de obstáculos em cinco áreas fundamentais: competências profissionais, financiamento da inovação, regulamentação, infra-estruturas e energia, e abertura comercial.

A instituição defende que as reformas previstas pelo Governo britânico no âmbito da sua estratégia de crescimento devem ser uma prioridade para criar condições favoráveis à adopção da IA. Entre as medidas apontadas estão a redução dos prazos de aprovação de infra-estruturas essenciais, a continuação das reformas no sector energético para diminuir os custos da electricidade e o reforço do financiamento nacional para empresas inovadoras com elevado potencial de crescimento.

O FMI alerta, contudo, que as reformas gerais poderão não ser suficientes, uma vez que a expansão da inteligência artificial enfrenta desafios específicos. A falta de clareza regulatória, a escassez de trabalhadores com competências digitais avançadas e a dependência de um pequeno número de empresas estrangeiras líderes no desenvolvimento de IA podem limitar a capacidade do Reino Unido de aproveitar plenamente esta tecnologia.

Para responder a estes desafios, o organismo recomenda aumentar a oferta de competências relacionadas com inteligência artificial, através do reforço da educação e formação, bem como da criação de vias de imigração mais rápidas para profissionais qualificados. O FMI defende ainda maior clareza nas regras sobre direitos de autor e utilização de IA em sectores regulados, além de investimentos estratégicos no ecossistema nacional de inteligência artificial.

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