As celebrações do Dia da Independência no Brasil, 7 de setembro, ficaram marcadas pela realização de atos em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que segue sendo julgado no STF por tentativa de golpe de Estado, em várias cidades do país e pela cerimónia oficial em Brasília, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na capital federal, o desfile Cívico-Militar realizou-se na Esplanada dos Ministérios, com a participação das Forças Armadas, veículos blindados e a tradicional apresentação da Esquadrilha da Fumaça. O evento decorreu sob forte aparato de segurança e foi acompanhado pelo chefe de Estado brasileiro e representantes do governo. Em discurso transmitido na véspera, Lula afirmou que o Brasil “não será mais colónia de ninguém”, numa referência às pressões internacionais, sobretudo dos EUA, e num tom de defesa da soberania nacional.
No último domingo, quando se celebrou a data nacional brasileira, paralelamente, em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e no próprio Distrito Federal, milhares de apoiantes de Bolsonaro reuniram-se para reivindicar anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando houve a invasão da sede dos três poderes, na capital do país, além de expressar solidariedade ao ex-presidente.
Discursos e apoio ao ex-presidente
Na Avenida Paulista, em São Paulo, levantamento da Universidade de São Paulo estimou a presença de mais de 40 mil pessoas. Convocado pelo senador Flávio Bolsonaro e pelo pastor Silas Malafaia, o ato teve a presença do governador do Rio, Cláudio Castro, que discursou em defesa de “democracia, soberania e liberdade”, e contou com críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a quem Flávio chamou de “tirano”.
Tarcísio de Freitas, governador do Estado de São Paulo, fez discurso forte defendendo a anistia ampla. Também estiveram no ato Romeu Zema, governador de Minas Gerais, e Jorginho Mello, governador de Santa Catarina, ambos destacados no palco da manifestação. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro discursou emocionada, enfatizando o sofrimento familiar diante das restrições impostas ao ex-presidente.
Em Brasília, desde o início da manhã, concentraram-se manifestantes no estacionamento da Funarte, onde discursaram parlamentares ligados ao campo bolsonarista e familiares do ex-presidente.
Por sua vez, no Rio, a manif a favor de Jair Bolsonaro concentrou-se na orla de Copacabana, reunindo cerca de 42,7 mil apoiantes ao longo da manhã, segundo estimativa do Monitor do Debate Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP) utilizando imagens aéreas e inteligência artificial, com margem de erro entre 37,6 mil e 47,8 mil participantes, número superior ao registado em 2024, quando foram contabilizados 32,7 mil presentes.
Entre as mensagens mais repetidas estiveram os pedidos de anistia e críticas ao Supremo Tribunal Federal, nomeadamente ao ministro Alexandre de Moraes. Alguns manifestantes exibiram bandeiras dos Estados Unidos e cartazes a pedirem a intervenção do presidente norte-americano Donald Trump, retratado por apoiantes como uma “esperança” no contexto do processo judicial em curso.
Ígor Lopes