O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, Alexandre de Moraes, autorizou, no último dia 7, a saída temporária do ex-presidente Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília, onde está preso preventivamente, para realizar exames médicos em hospital após sofrer uma queda na madrugada de terça-feira, dia 6, que resultou em traumatismo cranioencefálico leve.
O ministro determinou que os laudos sejam apresentados posteriormente. Com 70 anos e com histórico de cirurgias, Bolsonaro será submetido aos exames indicados (tomografia, ressonância magnética, eletroencefalograma) e retornará à custódia após os procedimentos.
A médica especialista em medicina legal e perícia médica pela Universidade de São Paulo (USP), Caroline Daitx, em análise sobre o caso, ressaltou a importância da investigação clínica diante de um quadro que vai além do trauma aparente, argumentando que a boa prática médica pede questionamento sobre a causa do acidente, que resultou num traumatismo cranioencefálico leve, conforme laudo inicial da equipa médica.
“Exames complementares são indispensáveis para esclarecer o que está por trás do episódio”, afirmou a médica, que possui residência em Medicina Legal e Perícia Médica pela Universidade de São Paulo (USP). Segundo esta especialista, o relatório médico oficial levanta quatro hipóteses cruciais: interação medicamentosa, crise epiléptica, hipoxemia relacionada ao uso de CPAP e processo inflamatório pós-operatório.
“A busca pela causa é o que define a medicina de excelência. Não se trata de preciosismo, mas da diferença entre um atendimento protocolar e um ato que realmente salva vidas”, complementou Daitx.
Ígor Lopes