Durante a 66.ª Cimeira do MERCOSUL, realizada em Buenos Aires, foi anunciada a conclusão das negociações do Acordo de Livre Comércio entre o MERCOSUL e a EFTA — bloco europeu que inclui Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
O entendimento criará uma zona de livre comércio com cerca de 300 milhões de pessoas e um PIB combinado de mais de 4,3 biliões de dólares (cerca de 4 biliões de euros), abrangendo 97% das exportações entre os dois blocos.
Do lado brasileiro, o acordo garante acesso em regime de livre comércio a quase 99% dos produtos exportados, com destaque para carnes, milho, café, frutas, sumos e álcool etílico.
A EFTA compromete-se a eliminar 100% das tarifas sobre produtos industriais e do setor pesqueiro.
Estima-se um impacto positivo de 2,69 mil milhões de reais (aproximadamente 500 milhões de euros) no PIB brasileiro e um aumento de 3,34 mil milhões (cerca de 620 milhões de euros) nas exportações totais até 2044, bem como reduções nos preços ao consumidor e aumento dos salários reais.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, destacou que o acordo não só abre mercados, mas também garante espaço para políticas públicas em áreas como saúde, inovação e sustentabilidade.
Pela primeira vez num acordo comercial negociado pelo Brasil, haverá exigências de matriz energética limpa na prestação de serviços digitais, incentivando o uso de energia renovável.
O texto também reforça os compromissos com o Acordo de Paris e práticas agrícolas sustentáveis.
A EFTA, que inclui alguns dos países com maior PIB per capita do mundo, é considerada um parceiro estratégico. A Suíça é o 11.º maior investidor direto no Brasil, e a Noruega lidera os apoios ao Fundo Amazónia.
Os textos do acordo passam agora por uma revisão legal, com previsão de assinatura ainda em 2025.
A ratificação poderá ocorrer bilateralmente, bastando a aprovação por um país de cada bloco.