Brasil: “InfoGripe” aponta avanço da “influenza A”

O Boletim InfoGripe da Fiocruz aponta aumento da circulação da influenza A no Brasil antes do período sazonal, com avanço do vírus em nível nacional e crescimento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), especialmente no Mato Grosso, na maioria dos estados do Nordeste (exceto Piauí), além de áreas do Norte e do Sudeste, conforme análise da Semana Epidemiológica 10 (8 a 14 de março).

Segundo o levantamento, o cenário nacional indica tendência de alta nos casos de SRAG no longo prazo. Em 2026, foram notificados 20.311 casos, dos quais 7.523 (37%) tiveram resultado positivo para vírus respiratórios, 8.398 (41,3%) foram negativos e cerca de 2.853 (14%) ainda aguardam resultado laboratorial.

O crescimento dos casos é observado em quase todos os estados, com exceção do Piauí, além de 18 das 27 capitais, que apresentam níveis de alerta, risco ou alto risco, incluindo cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Brasília.

A análise aponta que crianças e adolescentes são mais afetados pelo rinovírus, enquanto a influenza A predomina entre jovens, adultos e idosos. O vírus sincicial respiratório (VSR) também contribui para o aumento de SRAG em crianças pequenas, e a Covid-19 mantém baixa incidência, concentrada principalmente em estados do Sudeste.

Entre os vírus identificados em 2026, o rinovírus representa 41,9% dos casos positivos, seguido pela influenza A (21,8%), SARS-CoV-2 (14,7%), VSR (13,4%) e influenza B (1,5%). Nas últimas quatro semanas analisadas, a influenza A ampliou participação para 25,4% dos casos positivos.

O Ministério da Saúde definiu estratégias de vacinação para 2026, com campanha contra a influenza nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, entre 28 de março e 30 de maio, incluindo um Dia D no início da ação. A vacina é apontada como principal forma de prevenção de casos graves e óbitos.

O InfoGripe integra o Sistema Único de Saúde (SUS) e tem como objetivo monitorar casos de SRAG, apoiando a vigilância em saúde na identificação de áreas prioritárias para resposta a eventos de saúde pública.

Ígor Lopes

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