A Polícia Federal brasileira desarticulou na última sexta-feira uma organização criminosa especializada no contrabando de migrantes para os Estados Unidos.
A operação, denominada El Paso, teve como alvo municípios do leste de Minas Gerais, onde a rede atuava desde 2018. Estima-se que mais de 700 brasileiros tenham sido vítimas do esquema, incluindo 227 menores.
Foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva nas cidades de Ipatinga e Bugre.
A Justiça determinou ainda o sequestro de bens dos investigados, até ao valor de 62,6 milhões de reais (cerca de €9.984.700).
As investigações apontam para a liderança de pai e filho, que cobravam entre 15 mil e 21 mil dólares (€2.392,50 e €3.348,50) por pessoa. Com os lucros, ostentavam imóveis, carros de luxo e viagens ao exterior.
Parte do pagamento era feito com veículos, posteriormente revendidos por uma empresa criada pela dupla.
Segundo o Ministério da Justiça, os suspeitos contratavam “coiotes” (intermediários ilegais que facilitam a entrada clandestina de pessoas noutros países) e mantinham contactos com autoridades mexicanas para facilitar a entrada ilegal nos EUA.
A coordenadora do combate ao tráfico de pessoas, Marina Bernardes, alertou para os riscos a que estas redes expõem os migrantes, muitas vezes sujeitos a abusos e condições desumanas durante a travessia.