A floresta amazónica poderá evoluir para um clima “hipertropical” até ao final do século, um cenário mais quente, mais seco e instável do que qualquer outro registado na Terra em milhões de anos, segundo um estudo publicado na Nature.
Os investigadores alertam que, sem cortes significativos nas emissões de gases com efeito de estufa, a região poderá enfrentar até 150 dias por ano de “secas quentes”, incluindo períodos que hoje coincidem com a estação chuvosa.
Com base em mais de 30 anos de dados recolhidos na Amazónia central, o estudo identifica limites críticos para a sobrevivência das árvores. A falta de água e o calor extremo reduzem a capacidade das árvores para absorver carbono e transportar seiva, aumentando a mortalidade, sobretudo entre espécies de crescimento rápido e madeira menos densa.
A taxa anual de mortalidade arbórea poderá subir para cerca de 1,55% até 2100, o que representa perdas significativas numa floresta desta dimensão. Os autores alertam que a diminuição da capacidade da Amazónia para armazenar carbono poderá acelerar o aquecimento global, com impactos que vão muito além da região.