O Presidente do PAICV, Francisco Carvalho, fez hoje a sua primeira avaliação do Estado da Nação enquanto líder do maior partido da oposição. Numa conferência de imprensa realizada esta tarde, o político acusou o Governo de desrespeitar os cabo-verdianos ao apresentar uma visão que considera distorcida da realidade do país.
Segundo Francisco Carvalho, “vir a público apresentar um Estado da Nação falso e superficial é desrespeitar o povo que sofre todos os dias com as dificuldades estruturais, económicas e sociais”. Para o líder do PAICV, trata-se de uma “forma de se rir de quem está refém do atraso” em que, segundo ele, o atual Governo colocou o país nos últimos anos.
Francisco Carvalho criticou ainda o que considera ser um comportamento recorrente do Executivo nos últimos oito meses: o aparecimento com “projetos, promessas e maquetas”. Relembrou que o atual Primeiro-Ministro, enquanto líder do MpD, apresentava propostas sempre com um horizonte de 10 anos, com o objetivo de preparar o eleitorado para lhe conceder um segundo mandato.
“O verdadeiro Estado da Nação é marcado por falhas”, afirmou, apontando a inexistência de barcos e aviões suficientes, o isolamento crescente das ilhas, o fraco desempenho do turismo, a estagnação da economia e o distanciamento das famílias em relação aos seus sonhos e necessidades.
Carvalho destacou a situação dos jovens, afirmando que muitos “estão sem esperança, não têm acesso à formação técnica e profissional, não têm condições para pagar a universidade e não têm perspetivas de emprego”. Face a este cenário, questionou: “O que lhes resta?”.
Segundo o líder do PAICV, muitos jovens e também profissionais como professores e agentes da polícia estão a emigrar, em busca de melhores condições de vida, como já faziam outros cabo-verdianos há mais de 200 anos.
Francisco Carvalho apontou também falhas no setor da saúde, na agricultura, no ambiente e no domínio do emprego. Referiu que, no mundo rural, houve um “retrocesso brutal”: o investimento na agropecuária caiu de 3,3 milhões de contos em 2015 para apenas 800 mil contos em 2025. No setor primário, os empregos caíram de 41.253 em 2016 para 15.092 em 2024, com a destruição de 26.161 postos de trabalho.
Desconfiança institucional e ataques à imprensa
O Presidente do PAICV falou ainda da “descrença nas instituições da República” e denunciou retrocessos generalizados, incluindo “ataques a jornalistas”.
Francisco Carvalho concluiu que o país está a viver os efeitos negativos de governação do MpD.
Anícia Cabral – Correspondente