Guiné-Bissau: PAIGC acusa poder político de orquestrar campanha contra Amílcar Cabral

O Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) qualificou como “encenação destinada a desviar a atenção dos guineenses do essencial” os recentes ataques nas redes sociais dirigidos à figura de Amílcar Cabral, atribuídos a activistas próximos do poder na Guiné-Bissau.

Num comunicado divulgado esta terça-feira, 8 de Julho, o partido liderado por Domingos Simões Pereira criticou duramente o actual poder político, acusando-o de recorrer a “manobras de diversão” para ocultar problemas estruturais que afectam gravemente o país. Entre eles, destacou “o amordaçar da democracia, a fragilização das instituições, a violação sistemática dos direitos humanos, o colapso dos sectores sociais, o aumento galopante do custo de vida, da fome e da miséria da população”.

O PAIGC não se desviará do seu foco, “a concretização dos actos eleitorais de Novembro de 2025”, lê-se no comunicado, que também denuncia “manobras dilatórias tendentes a inviabilizar a realização das eleições presidenciais e legislativas”. O partido considera extemporânea a data anunciada, à luz da Constituição, mas assegura estar atento às tentativas do regime de adiar a decisão soberana do povo.

Em resposta aos ataques à memória de Amílcar Cabral, o PAIGC afirma que “nenhuma insuficiência educacional, histórica ou política pode justificar tamanha blasfémia contra a figura maior da nossa independência e da nossa nacionalidade”. Para o partido, as acções fazem parte de um esforço deliberado do regime “ditatorial e já moribundo” de reescrever a história do país, motivado por ignorância ou complexo de inferioridade.

Amílcar Cabral foi obreiro da independência e da identidade dos povos guineense e cabo-verdiano. Inspirou nações africanas e de outros continentes a alcançar a soberania e a liberdade. O impacto do seu pensamento político é considerado por estudiosos como o segundo maior líder mundial e que o seu legado continua a ser objecto de estudo em universidades de todo o mundo, sublinha o mesmo documento.

O PAIGC manifesta ainda total solidariedade aos Combatentes da Liberdade da Pátria e afirma o documento, acrescentando que o partido “fará tudo o que estiver ao seu alcance” para que os autores de blasfémias contra o seu líder imortal ou qualquer outro combatente da liberdade da pátria sejam responsabilizados judicialmente.

“A história de um povo não se reescreve com blasfémias aos seus heróis”, conclui o partido.

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