A Diretoria Nacional de Campanha de Fernando Dias da Costa reagiu de forma articulada aos mais recentes desenvolvimentos políticos na Guiné-Bissau, combinando apoio explícito às decisões da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) com duras acusações ao regime liderado por Umaro Sissoco Embaló, deposto após o golpe de 26 de novembro de 2025.
Através de um comunicado, a estrutura de campanha de Dias congratulou-se com o reconhecimento, por parte das duas organizações regionais, da validade das eleições de 23 de novembro, bem como com a exigência do retorno imediato à ordem constitucional, a libertação dos detidos políticos e a proteção de líderes ameaçados. Para a Diretoria, estas posições representam um passo decisivo para travar a consolidação do poder militar e restaurar a normalidade democrática no país.
Apesar disso, o documento manifesta reserva quanto à ausência de uma posição clara sobre a divulgação dos resultados eleitorais, que, segundo a campanha, confirmam Fernando Dias da Costa como vencedor legítimo do escrutínio. A Diretoria considera que essa omissão fragiliza o processo de transição e prolonga a incerteza política.
O tom endureceu no segundo comunicado, tornado público a 21 de dezembro, no qual a campanha exige explicações ao Alto Comando Militar sobre a apreensão de cinco milhões de euros em Portugal. As declarações do Major-General Horta Inta-A, que se apresentou como “Presidente da República de Transição”, são classificadas como irresponsáveis e parte de uma estratégia de manipulação destinada a legitimar o golpe.
A Diretoria vai mais longe ao acusar o regime deposto de ter promovido e protegido a expansão do crime organizado, com destaque para o tráfico de droga, de armas e o branqueamento de capitais. A Guiné-Bissau teria sido transformada, segundo o comunicado, num “paraíso para narcotraficantes”, apontando-se a aterragem recorrente de aeronaves no Aeroporto Internacional Osvaldo Vieira com carregamentos de cocaína e armamento, sob proteção direta do poder político. A apreensão, em setembro de 2024, de uma aeronave com 2,6 toneladas de cocaína é citada como prova do agravamento do fenómeno.
Neste contexto, a campanha de Dias questiona a legitimidade moral do Alto Comando Militar para falar de eleições viciadas, defendendo que o rumo político do país deve ser decidido exclusivamente pelo povo, através do voto, e não por um núcleo restrito de oficiais alegadamente ligados a interesses criminosos.
A Diretoria condena ainda as detenções arbitrárias de líderes políticos, entre os quais Domingos Simões Pereira, e exige a libertação imediata e incondicional de todos os cidadãos detidos de forma ilegal. Paralelamente, manifesta gratidão ao Parlamento Europeu pela condenação do golpe e apela a uma mobilização mais firme da comunidade internacional contra o que classifica como um assalto ao poder democrático na Guiné-Bissau.
No fecho dos comunicados, a campanha exorta as Forças Armadas a respeitarem as decisões da CEDEAO e da CPLP, abandonando o poder político, e apela à população guineense para se manter vigilante e mobilizada enquanto aguarda os próximos passos do processo político.