Guiné-Bissau: JBV acusa Presidente são-tomense de instigar golpe institucional

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição da Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira (JBV), defendeu esta terça-feira (03.02) que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) deve adotar uma posição firme face à crise política em São Tomé e Príncipe, considerando que naquele país está em curso um golpe de Estado de natureza institucional.

As declarações foram feitas durante o balanço dos primeiros 65 dias de atividade à frente da diplomacia guineense. Segundo João Bernardo Vieira, a destituição do presidente da Assembleia Nacional Popular são-tomense representa uma rutura grave da ordem constitucional e uma violação dos princípios democráticos.

“Em São Tomé e Príncipe houve um golpe de Estado parlamentar. Um golpe de Estado Constitucional, na medida em que 29 deputados destituíram o presidente da Assembleia Nacional Popular”, afirmou João Bernardo Vieira, frisando que o conceito de golpe de Estado não pode ser limitado apenas a intervenções militares.

O chefe da diplomacia guineense acusou ainda o Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, de envolvimento direto no processo, classificando-o como “instigador de um golpe palaciano”. Para o ministro, a substituição da liderança parlamentar ocorreu “sem qualquer legitimidade” e “sem qualquer constitucionalidade”, contrariando a vontade popular expressa nas urnas.

João Bernardo Vieira apelou à CPLP para que assuma em relação a São Tomé e Príncipe a mesma postura adotada perante a Guiné-Bissau, alertando para o risco de aplicação de critérios desiguais. “A CPLP deve ter o mesmo posicionamento que teve na Guiné-Bissau em São Tomé e Príncipe”, insistiu.

O governante criticou igualmente o que considera ser uma tentativa de ingerência externa, acusando Carlos Vila Nova de “tentar dar lição de moral à Guiné-Bissau”. Segundo afirmou, essa postura não produzirá efeitos, uma vez que “o país não aceita que indivíduos que não conseguem garantir situações internas nos seus próprios países possam dar lições de moral à Guiné-Bissau”.

No plano regional, o ministro destacou o papel da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) na mediação da crise política guineense, lamentando em simultâneo a ausência de uma missão da CPLP ao país. De acordo com João Bernardo Vieira, a organização lusófona “nunca enviou uma missão à Guiné-Bissau de bons ofícios para se inteirar da situação”.

O chefe da diplomacia considerou positivos os primeiros 65 dias de governação, sublinhando que todas as recomendações formuladas pela CEDEAO após os acontecimentos de 26 de novembro de 2025 foram cumpridas. “As recomendações feitas pela CEDEAO foram todas elas cumpridas. Todos os presos já estão em liberdade”, afirmou, defendendo que a estabilidade institucional deve prevalecer sobre divergências partidárias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Subescreve a Newsletter

Artigos Relacionados

Guiné-Bissau: Baciro Djá acusa aliados de Sissoco Embaló e acaba detido

O ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Baciro Djá, levantou no...

0

São Tomé e Príncipe: Primeiro-Ministro preside à abertura do Fórum Africano dos Pequenos Estados Insulares

O Primeiro-Ministro e Chefe do Governo, Américo Ramos,...

0

São Tomé e Príncipe acolhe cimeira dos Pequenos Estados Insulares para reforçar cooperação com a FAO

O Primeiro-Ministro de São Tomé e Príncipe reuniu-se...

0