Guiné-Bissau: Nabiam acusa Sissoco de pretender eliminar líderes políticos guineenses

O antigo Primeiro-ministro e líder da APU-PDGB, Nuno Gomes Nabiam, acusou, esta quinta-feira, 11 de Julho, o Presidente da República de ter “intenções claras” de eliminar fisicamente os principais líderes políticos da Guiné-Bissau.

Nuno Gomes Nabiam proferiu as acusações durante uma conferência de imprensa promovida para abordar a situação política e económica vigente no país, na qual, durante longas horas, fez várias revelações dos tempos em que era aliado de Umaro Sissoco Embaló.

O líder da APU-PDGB disse que telefonara ao Ministro Sandji Fati, sobre a informação obtivera relativa à chegada de um contentor com armas que iria ser descarregado no porto e transportado para Presidência da República. “Disse-me que é a verdade, mas prometeu explicar-me depois”, contou Nabiam.

No dia seguinte, segundo o líder da APU-PDGB, Nuno Nabiam esteve com o Ministro Sandji Fati que lhe terá dito que aconselhara o Presidente da República de que o Ministério da Defesa devia ser informado e que as armas teriam que ser apresentadas ao Estado-Maior para “fazer um inventário para sua distribuição”, contou Nuno Gomes Nabiam.

Durante a conferência de imprensa, Nuno Gomes Nabiam denunciou “os planos” de Sissoco Embaló para eliminar os seus adversários políticos.

“O Presidente perdeu o norte. Quer liquidar todos nós, Braima Camará, Domingos Simões Pereira, Fernando Dias. Por isso mandou retirar a nossa segurança. Quem tem plano e armas para fazer golpe é o Presidente, temos que ousar falar a verdade”, disse o antigo primeiro-ministro.

Nabiam acusou ainda Umaro Sissoco Embaló de ser principal desestabilizador da Guiné-Bissau e defendeu a realização das eleições presidenciais no decurso de este ano.

A 27 de fevereiro de 2020, Nuno Gomes Nabiam, então vice-presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), presidira a tomada posse simbólica do Presidente da República Umaro Sissoco Embaló, com minoria de deputados eleitos na X legislatura, quando ainda decorria um contencioso eleitoral e à revelia do presidente do parlamento Cipriano Cassamá.

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