As duas Coligações políticas da oposição ressurgem contra o Chefe de Estado guineense e a Comunidade Económica dos Estados de África Ocidental (CEDEAO) sobre o término de mandato de Umaro Sissoco Embaló a 27 de Fevereiro de 2025, sem ter sido anunciado ainda uma data para as eleições legislativas e Presidenciais.
A Aliança Patriótica Inclusiva Cabaz Garandi (API-CG) lembrou ao Chefe de Estado que “o mandato presidencial caduca a 27 de Fevereiro de 2025”, e insistiu que Umaro deve “entabular diálogo aberto e inclusivo com todos os atores políticos e institucionais”, a fim de reunir “um amplo consenso” para a marcação das datas das eleições legislativas e presidências.
A posição da Aliança, liderada por Nuno Gomes Nabiam, consta numa missiva endereçada ao Presidente da República Umaro Sissoco Embaló a 6 de Janeiro, a qual e-Global teve acesso esta terça-feira [14.01].
Na carta, a Aliança Patriótica Inclusiva exige “a marcação das eleições legislativas e presidenciais, conforme o comunicado final da 66ª Sessão Ordinária da Conferência dos Chefes de Estado e do Governo da CEDEAO no seu ponto 39 e de acordo com a constituição da Guiné-Bissau”.
“Alertaremos todos os actores políticos e institucionais, assim como a sociedade civil, a população em geral e Organismos Internacionais das reiteradas manobras dilatórias com consequências sociais, económicas e políticas imprevisíveis de que (…) o Presidente, é o único e exclusivo responsável”, lê-se na Carta enviada ao Umaro Sissoco Embaló.
A Coligação Plataforma da Aliança Inclusiva Terra Ranka (PAI-TR), vencedora das eleições legislativas de Junho de 2023 com maioria absoluta, lembrou também, através de outra carta, dirigida ao Presidente da Comissão da CEDEAO o último encontro dos Chefes de Estados do bloco e sobre o seu Comunicado Final relativamente à Guiné-Bissau.
Na carta a Coligação PAI-Terra Ranka saudou os esforços da CEDEAO na procura de uma solução para a crise política na Guiné-Bissau e congratulou-se com a decisão de instruir a Comissão a enviar uma missão política de alto nível à Guiné-Bissau, a fim de apoiar os esforços dos actores políticos no sentido de se alcançar um consenso, através do diálogo inclusivo, sobre o calendário eleitoral e os mecanismos para a condução bem-sucedida do processo eleitoral.
A Coligação encorajou também a Comissão da CEDEAO a providenciar o envio da referida missão o mais rapidamente possível, referindo na carta que “apesar dos persistentes pedidos de praticamente todos os partidos políticos e da maioria das organizações da sociedade civil, o Presidente da República recusa-se a convocar as eleições presidenciais e legislativas e continua a demonstrar total falta de vontade política para um diálogo inclusivo com vista à marcação dessas eleições”.
“O mandato do Presidente da República termina em 27 de Fevereiro de 2025, e é absolutamente indispensável que as eleições presidenciais e legislativas sejam convocadas antes dessa data”, sublinhou a Coligação chefiada por Domingos Simões Pereira.
O chefe de Estado guineense disse recentemente, que as eleições legislativas e Presidenciais poderão ter lugar só no final de ano, uma posição criticada pelos partidos da oposição e a sociedade civil que apontam 27 de Fevereiro para o fim de mandato de Umaro Sissoco Embaló.