África Subsaariana

OMS declara epidemia de Ébola “emergência” sanitária mundial

A epidemia de febre hemorrágica Ebola subiu para a classificação de “emergência de saúde global”, revelou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Três dias antes, foi registado um primeiro caso em Goma, uma grande cidade no leste da República Democrática do Congo, na fronteira com Ruanda.

Esta é a quarta vez que a OMS ativa o seu procedimento de emergência de saúde internacional desde 2009 – incluindo uma vez em 2014 quando o grande surto de Ebola matou 11.000 pessoas na África Ocidental

Este procedimento faz com que a situação seja considerada “grave, súbita, incomum ou inesperado”, com consequências para a saúde “para além das fronteiras nacionais do Estado afectado”, o que “pode exigir uma ação internacional imediata”, de acordo com os critérios de Regulamento Sanitário Internacional.

O Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, pediu à comunidade internacional para “redobrar seus esforços”. “Precisamos trabalhar em conjunto com a RDC para acabar com esta epidemia e construir um sistema de saúde melhor”, apelou.

A declaração surge no momento em que a epidemia já matou 1.668 pessoas em Kivu do Norte em quase um ano desde 1 de agosto passado.

O caso diagnosticado em Goma na tarde de domingo causou um novo electro-choque nos “atores” da resposta anti-Ebola, confrontados há um ano com muitos desafios (resistência de parte da população, a violência armada).

Com uma população de um a dois milhões na fronteira com Ruanda e com a vizinha Uganda, Goma é uma encruzilhada nesta região e tem ligações aéreas com o Uganda, Etiópia e Kinshasa.

O paciente de Goma morreu e agora questiona-se o número de contatos que possa ter tido desde o momento em que desenvolveu os primeiros sintomas.

“O risco de propagação do Ebola na região continua alto, mas permanece baixo fora”, disse Tedros.

A emergência de saúde foi prevista em junho, quando a epidemia transbordou para a vizinha Uganda, com a morte de dois pacientes.

Na noite de quarta-feira, as autoridades ugandesas procuravam pessoas que tivessem estado em contato com um caso confirmado de Ebola da RDC.

“Morreu na última segunda-feira num centro especializado em Beni, este paciente tinha desenvolvido sintomas de Ebola desde a sua estadia no distrito de Kasese na fronteira do Uganda com a RDC”, informou um comunicado das autoridades do Uganda e da OMS.

A OMS assinalou que a emergência de saúde global não deve ser uma “desculpa para impor restrições comerciais e de viagens que impactariam negativamente a resposta (de saúde) e a vida das pessoas na região”, salientou o professor Robert Steffen, chefe do Comité de Emergência da OMS.

“Devemos mudar o método” na resposta ao Ebola, reagiram os Médicos Sem Fronteiras (MSF) em comunicado.

O MSF anunciou a retirada das suas equipas no início de março de Beni e Butembo, os principais focos da epidemia, devido a ataques armados contra Centros de Tratamento de Ébola (ETCs).

“Num contexto onde a procura por casos de contato não é totalmente eficaz e onde não são alcançadas todas as pessoas afetadas, uma abordagem mais ampla é essencial para a prevenção da epidemia”, declarou o MSF.

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