A tensão diplomática entre Washington e Pequim voltou a subir de tom após a Embaixada da China no México reagir com firmeza a declarações de Larry Rubin, presidente da American Society of Mexico. Rubin havia sugerido que o governo mexicano deveria evitar estreitar relações com os países do BRICS — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — sobretudo com Pequim e Moscovo.
Em comunicado, a representação chinesa acusou Rubin de promover uma “mentalidade hegemónica” e de tentar “manchar a cooperação entre os países do Sul Global”.
A nota sublinha que tais afirmações configuram “arrogância vergonhosa” e uma tentativa de interferência nas decisões soberanas de países latino-americanos.
“O senhor Rubin apresenta-se como empresário, mas age como porta-voz político, dizendo ao México com quem pode ou não se relacionar”, criticou a embaixada. O texto vai mais longe e acusa os EUA de incoerência: enquanto condenam a aproximação com o BRICS, continuam a impor sanções e restrições à região.
A China, por seu lado, reforça que a sua cooperação com a América Latina “baseia-se em apoio mútuo e progresso partilhado”, rejeitando a ideia de rivalidade ideológica.
Este episódio ilustra a crescente disputa de influência na América Latina, onde países como o México e o Brasil assumem relevância estratégica.
Com o BRICS em processo de expansão e maior presença chinesa na região, Pequim posiciona-se não só como parceiro económico, mas também como contraponto político à tradicional hegemonia norte-americana.
Para o Brasil, que detém a presidência rotativa do BRICS, a disputa abre espaço para fortalecer a sua liderança no bloco e afirmar-se como mediador entre diferentes centros de poder, valorizando o diálogo e a integração regional.