A administração de Donald Trump emitiu um memorando informando que o pagamento de salários em atraso aos funcionários federais afetados pelo “shutdown” em curso não está garantido, revertendo uma prática habitual em anteriores paralisações do governo dos EUA.
O documento, divulgado pela Casa Branca, indica que o reembolso dos cerca de 750 mil trabalhadores em licença dependerá de uma decisão do Congresso, que poderá incluí-lo num futuro projeto de lei de financiamento.
A medida é vista como uma forma de pressão sobre os democratas, numa tentativa de acelerar um acordo para reabrir o governo, que já se encontra no oitavo dia de encerramento.
Durante um evento na Casa Branca, Trump afirmou que o pagamento “depende de quem estamos a falar”, sugerindo que nem todos os funcionários receberiam retroativos.
A declaração provocou críticas imediatas da oposição. A senadora democrata Patty Murray classificou a decisão como “ilegal e intimidatória”, sublinhando que a lei de 2019 garante o pagamento dos salários após o fim de qualquer paralisação.
Vários analistas alertam que recusar os retroativos violaria normas federais e poderia gerar ações judiciais. Apesar da polémica, o impasse político mantém-se: democratas e republicanos continuam sem acordo sobre o financiamento dos programas de saúde e o orçamento federal, prolongando a crise administrativa em Washington.