A administração de Donald Trump anunciou uma forte redução no número de refugiados que os Estados Unidos irão aceitar a partir de 2026, limitando-o a 7.500 pessoas por ano — o valor mais baixo em décadas. O novo limite, publicado no Registo Federal, representa uma quebra drástica face aos 125.000 permitidos durante a presidência de Joe Biden.
A medida dá prioridade aos sul-africanos brancos, conhecidos como afrikaners, justificada pelo governo norte-americano com “preocupações humanitárias e interesse nacional”.
Em fevereiro, a administração já havia criado um programa específico para este grupo, alegando que enfrentam discriminação e violência na África do Sul — uma caracterização que o governo sul-africano rejeitou veementemente, classificando-a de “infundada e politicamente motivada”.
Desde que Trump regressou à Casa Branca, o programa de refugiados tem sido fortemente restringido, com exceções quase exclusivas para cidadãos sul-africanos brancos. O primeiro grupo de 49 refugiados afrikaners chegou aos EUA em maio, no âmbito do novo programa.
Organizações humanitárias criticaram duramente a decisão, acusando a administração de politizar um programa humanitário. Sharif Aly, do Programa Internacional de Assistência aos Refugiados, afirmou que concentrar admissões num único grupo “mina a credibilidade” dos EUA.
A Human Rights First classificou a medida como “um novo ponto baixo” da política externa norte-americana, alertando que a decisão poderá “prejudicar países que já acolhem milhões de refugiados” e “fragilizar a segurança global”.
O plano reflete uma mudança profunda na política de asilo dos EUA, praticamente encerrando a entrada de pessoas que fogem de guerras, perseguição ou fome em regiões como o Sudão e o Médio Oriente.