O deposto Nicolás Maduro autoproclamou-se “prisioneiro de guerra” e “presidente legítimo da Venezuela”. Ele e a sua esposa, Cilia Flores, enfrentam processos judiciais por acusações de tráfico de drogas nos Estados Unidos, após a captura na madrugada de 3 de janeiro.
Depois de abrigar prisioneiros mediaticamente famosos, como o narcotraficante mexicano José Joaquín “El Chapo” Guzmán, o Centro de Detenção Metropolitano de Brooklyn agora abriga um casal que, até recentemente, detinha o poder absoluto no país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.
Com temperaturas abaixo de zero nas ruas e confrontos entre aqueles que exigiam a libertação do “presidente operário” e aqueles que comemoravam a sua captura, o juiz Alvin Hellestein ouviu as alegações iniciais da acusação e da defesa num tribunal lotado de membros da imprensa internacional.
“Sou o presidente legítimo da Venezuela e declaro-me prisioneiro de guerra. Fui sequestrado pelo governo de Donald Trump”, foi o argumento dado pelo ex-ditador de Caracas, representado pelo advogado Barry J. Pollack, o mesmo que defendeu Julian Assange e cujos honorários estão entre os mais altos de Manhattan.
Segundo os advogados do caso, a meticulosidade do juiz veterano Hellestein, de 92 anos, significa que o julgamento será muito longo, a ponto de a apresentação das provas, por si só, poder levar um ano.
Governos progressistas da América Latina, como os da Colômbia, México, Brasil e Chile, condenaram o bombardeio de Caracas e a extração de Maduro, classificando-os como uma violação do direito internacional, enquanto a diáspora venezuelana celebra nas ruas do mundo o início de uma transição política ainda incerta.