O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou-se “profundamente alarmado” com a escalada de tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela, que culminou na captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por forças especiais norte-americanas. Em comunicado divulgado no sábado, Guterres alertou que a acção militar dos EUA “constitui um precedente perigoso”, com potenciais consequências graves para a região.
Segundo a ONU, a operação norte-americana teve início com ataques durante a noite em Caracas e arredores, levando o Governo venezuelano a declarar o estado de emergência nacional. As autoridades de Caracas classificaram a acção como uma “agressão militar extremamente grave”, após meses de crescente tensão, incluindo um reforço militar dos EUA ao largo da costa venezuelana e apreensões de navios petrolíferos sancionados.
Guterres sublinhou a necessidade de respeito pleno pelo direito internacional e pela Carta das Nações Unidas, apelando a todas as partes para que optem por um diálogo inclusivo, em conformidade com os direitos humanos. A mesma posição foi reforçada pelo alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, que destacou que a protecção da população venezuelana deve ser a prioridade absoluta.
Entretanto, a Venezuela solicitou formalmente uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, agendada para esta segunda-feira, em Nova Iorque. A crise levou ainda a liderança da Assembleia Geral da ONU a recordar que o uso da força contra a soberania de um Estado viola princípios fundamentais do direito internacional, alertando que “a força não substitui a lei” num sistema internacional baseado em regras.