O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou esta terça-feira, em Lisboa, que a eventual realização de uma reunião entre os presidentes da Ucrânia e da Rússia representaria “um enorme avanço” no processo de paz.
Após participar numa videoconferência de líderes da União Europeia, Costa revelou ter falado com Volodymyr Zelenskyy, destacando as prioridades debatidas: pôr fim aos ataques, retomar a troca de prisioneiros, garantir o regresso das crianças ucranianas deportadas e preparar garantias de segurança para o período pós-guerra.
O responsável europeu sublinhou ainda a importância do compromisso norte-americano, recordando que o presidente Donald Trump já manifestou disponibilidade para envolver os Estados Unidos nas futuras garantias de segurança.
Questionado sobre as declarações de Trump, que desvalorizou um cessar-fogo, António Costa respondeu que “o essencial não são as palavras, mas sim que a guerra acabe”. Costa recordou que, até agora, Vladimir Putin nunca aceitou reunir-se com Zelenskyy, razão pela qual a mera possibilidade de um encontro direto “já constitui um sinal muito positivo”.
O líder europeu acrescentou que a prioridade passa agora por transformar essa hipótese em realidade, evoluindo depois para uma reunião trilateral com Trump e, posteriormente, para um diálogo alargado com a União Europeia sobre a segurança do continente.
Paralelamente, os 27 discutiram a preparação de um eventual 19.º pacote de sanções contra a Rússia, caso não haja progressos no processo de paz.
Para António Costa, além das medidas imediatas de segurança, é igualmente fundamental manter em aberto a perspetiva de adesão da Ucrânia à UE, “garantia de estabilidade, desenvolvimento e prosperidade a longo prazo”.