A União Europeia não vai acompanhar o pedido do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para aplicar tarifas entre 50% e 100% sobre a China. Bruxelas considera que a proposta, apresentada no fim de semana pelo líder norte-americano como forma de pressionar Moscovo a travar a guerra na Ucrânia, não reúne consenso político nem se enquadra nas regras da política comercial europeia.
Trump defendeu que tarifas punitivas contra Pequim, aliadas ao fim imediato das importações de petróleo russo, poderiam quebrar o alegado domínio chinês sobre a Rússia.
No entanto, vários responsáveis europeus sublinharam que medidas comerciais não se confundem com sanções políticas e lembraram que qualquer alteração tem de respeitar os princípios da Organização Mundial do Comércio.
Por outro lado, também alguns diplomatas em Bruxelas admitiram, em privado, que uma ofensiva desta magnitude seria “de forma alguma” viável.
Além da falta de unidade entre Estados-membros em relação à China, a Comissão Europeia alertou para os riscos de retaliação, recordando que Pequim tem reagido com investigações e restrições a produtos europeus sempre que se sente visada.
Pequim já avisou que responderá com contra-medidas caso os seus interesses sejam prejudicados.
Vários especialistas consideram improvável que a União Europeia adote tarifas tão elevadas, sobretudo num momento de estagnação económica e de fragilidade no comércio internacional.