A escalada do conflito no Médio Oriente está a provocar uma forte subida dos preços do petróleo e poderá travar de forma significativa o crescimento económico da Zona Euro, segundo uma análise divulgada pelo Banco Central Europeu (BCE). Desde o início da guerra, em fevereiro de 2026, o preço do petróleo Brent aumentou de forma acentuada, refletindo perturbações no abastecimento através do Estreito de Ormuz e uma redução da produção petrolífera na região.
De acordo com o BCE, o atual choque petrolífero situa-se entre os mais relevantes das últimas décadas, embora seja menos severo do que o registado durante a Guerra do Golfo, no início dos anos 1990. Ainda assim, o impacto económico poderá ser superior ao observado após a invasão da Ucrânia pela Rússia, devido à persistência esperada dos preços elevados do crude ao longo dos próximos meses.
A instituição explica que, ao contrário das subidas dos preços do petróleo impulsionadas por uma maior procura global, os aumentos provocados por problemas de oferta tendem a penalizar economias importadoras de energia, como as da Zona Euro. Entre os efeitos identificados estão o aumento dos custos de produção, a redução do rendimento real das famílias, a diminuição da procura global e o agravamento da incerteza económica.
Com base em modelos económicos, o BCE estima que o atual choque poderá reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da Zona Euro em cerca de 0,4 pontos percentuais durante o primeiro ano após o início do conflito. O investimento empresarial deverá ser particularmente afetado, uma vez que é mais sensível à incerteza gerada por crises geopolíticas e pela volatilidade dos mercados energéticos.
Apesar destas projeções, o BCE sublinha que a dimensão real do impacto continua envolta em incerteza e dependerá da duração do conflito e da evolução dos preços do petróleo. A instituição alerta ainda que eventuais perturbações adicionais nas cadeias de abastecimento ou uma subida dos preços do gás natural poderão agravar os efeitos negativos sobre a economia europeia.