O governo neerlandês anunciou a tomada de controlo temporário da empresa de semicondutores Nexperia, de propriedade chinesa, ao abrigo de uma lei de emergência invocada por “riscos graves para a segurança nacional e europeia”. A medida, descrita como “altamente excecional”, marca uma das intervenções mais firmes de um Estado europeu no setor tecnológico.
Segundo o Ministério dos Assuntos Económicos, o executivo acionou a Lei sobre a Disponibilidade de Bens (Wet Beschikbaarheid Goederen), que permite ao Estado bloquear decisões internas e assegurar a continuidade da produção. O objetivo é evitar que os produtos da empresa, considerados críticos, se tornem indisponíveis em caso de crise.
A Nexperia, sediada em Nijmegen, é um dos principais fornecedores de circuitos integrados usados na indústria automóvel e eletrónica de consumo. A empresa pertence à chinesa Wingtech, cujas ações caíram cerca de 10% na bolsa de Xangai após o anúncio.
Em comunicado, a Wingtech afirmou que os seus direitos de gestão foram “temporariamente restringidos”, mas que continuará a deter os benefícios económicos da propriedade.
As autoridades neerlandesas não detalharam as falhas de governação invocadas, mas referiram risco de perda de tecnologia e de know-how estratégico.
O caso insere-se num movimento mais amplo de reforço da proteção das cadeias tecnológicas europeias, em resposta à crescente rivalidade com a China e às restrições impostas pelos EUA.
A Nexperia, antiga subsidiária da Philips, foi comprada pela Wingtech em 2018 e já tinha estado sob escrutínio em 2022, quando o Reino Unido obrigou a empresa a vender a fábrica Newport Wafer Fab, também por motivos de segurança.