A Comissão Europeia apresenta esta quarta-feira a proposta para o próximo orçamento de longo prazo da União Europeia, o Quadro Financeiro Plurianual (QFP) para o período 2028–2034, num momento de elevada tensão política e orçamental em Bruxelas.
Considerado o documento mais importante da política financeira da UE, o QFP vai definir as prioridades de investimento para os próximos sete anos, incluindo áreas como a reconstrução da Ucrânia, a competitividade económica, o apoio à defesa europeia e os tradicionais fundos agrícolas e de coesão.
Apesar de se esperar que o montante global do novo orçamento ronde os 1,2 biliões de euros — semelhante ao atual —, a grande mudança poderá estar na forma como o dinheiro é gerido.
A Comissão quer um orçamento mais simples, flexível e adaptável às emergências, num contexto geopolítico cada vez mais imprevisível.
O processo de elaboração da proposta terá sido marcado por um secretismo invulgar, com números mantidos em confidencialidade até ao último momento. Apenas um grupo restrito de altos responsáveis terá tido acesso aos dados finais antes da apresentação oficial.
Entre os cenários em discussão está a reorganização do orçamento em três grandes áreas: fundos nacionais (como agricultura e coesão), inovação e competitividade, e instrumentos externos.
Esta estrutura pretende reforçar o foco estratégico, mas levanta receios sobre possíveis cortes em programas menos prioritários.
A proposta da Comissão dará início a intensas negociações entre os Estados-membros e o Parlamento Europeu, num processo que deverá prolongar-se até 2026. Para já, as atenções centram-se nos primeiros números e na forma como Bruxelas pretende equilibrar ambição com realismo orçamental.