A agressão mortal a um médico em Cracóvia reacendeu os alertas sobre a violência crescente contra profissionais de saúde em vários países europeus. Segundo a Organização Mundial da Saúde, até 38% destes profissionais já foram vítimas de violência física, número que não inclui os episódios verbais e online, cada vez mais frequentes.
Em Espanha, os dados de 2024 revelam 847 ataques a médicos – um a cada dez horas – afetando sobretudo mulheres e profissionais dos cuidados primários. Em muitos casos, os conflitos surgem de longos tempos de espera ou divergências sobre tratamentos.
Em França, o número de incidentes comunicados pelos médicos aumentou 27% em 2023.
A maioria dos casos envolveu insultos e ameaças, mas também houve agressões físicas graves.
Os médicos de família são os mais visados.
A Bélgica introduziu penas mais duras, com até cinco anos de prisão para agressores de profissionais em funções sociais, como médicos e enfermeiros. Já a Grécia aprovou em 2024 um reforço da proteção legal, propondo ainda a criação de um observatório da violência nos hospitais.
Na Bulgária, cerca de metade dos médicos admite já ter sofrido agressões físicas ou verbais. Muitos doentes consideram que atitudes violentas aceleram o atendimento, refletindo uma grave erosão da relação entre utentes e profissionais.
O problema, contudo, é global: 85% dos médicos na China e 75% na Índia afirmam já ter sido alvo de violência.
Os investigadores associam o fenómeno à má gestão dos sistemas de saúde, comunicação deficiente, tempo de espera excessivo e perceção pública distorcida sobre os rendimentos dos médicos.
Desde 2020, celebra-se a 12 de março o Dia Europeu contra a Violência sobre Médicos e Profissionais de Saúde, como resposta ao agravamento da situação.
O Comité Permanente dos Médicos Europeus reforça que proteger quem cuida é essencial para a sustentabilidade dos serviços de saúde.