Confirmado cessar-fogo de 60 dias entre Israel e o Líbano

Benjamin Netanyahu confirmou no seu discurso de terça-feira à noite que Israel aceita a proposta de cessar-fogo com o Líbano. O Primeiro-Ministro Israelita apontou três razões para justificar a aceitação do acordo: a preparação para uma possível ameaça Iraniana, possibilitar a recuperação física e psicológica das tropas Israelitas (após mais de um ano em campanha militar em Gaza e no Líbano) e a aquisição de novo armamento, e finalmente isolar o Hamas.

O acordo de cessar-fogo, que está em vigor desde a madrugada de quarta-feira, estipula que o Hezbollah e todos os outros grupos armados em território Libanês não poderão efectuar ataques contra Israel no curso dos próximos 60 dias, e que, por sua vez, as forças Israelitas não estão autorizadas a realizar ofensivas militares contra alvos no Líbano, inclusive por via aérea. Israel terá ainda de gradualmente retirar-se do sul da Linha Azul da ONU. As únicas entidades autorizadas a transportar armamento ou destacar tropas no sul do Líbano serão as forças de segurança e o exército Libanês, cujos oficiais serão posicionados ao longo de todos os pontos de passagem da fronteira com Israel.

Entretanto, o acordo indica que quaisquer instalações para produção de armamento dentro do Líbano que não estejam autorizadas  serão desmanteladas e as armas confiscadas.

Este cessar-fogo, que tem sido mediado pelos EUA e França (à imagem da tentativa de ambos os países em implementar um acordo semelhante em Setembro deste ano), tem como objectivo iniciar a transição da presença e influência militar do Hezbollah para o Exército Libanês. Contudo este processo poderá levar bastante tempo e não há garantias que o Hezbollah reduza a sua influência militar em solo Libanês.

Apesar do alívio, ainda que temporário, proporcionado ao povo Libanês por este cessar-fogo, o dia de terça-feira foi particularmente violento, com Israel a bombardear quase incessantemente vários pontos urbanos no Líbano incluindo novos alvos residenciais em Beirute (tipicamente considerados seguros) fazendo quase 60 mortos e dezenas de feridos, num clima de pânico e caos total entre as populações locais.

Os bombardeamentos de Israel continuaram para lá do discurso de Netanyahu, numa última tentativa de demostrar ao eleitorado Israelita a sua capacidade bélica superior e que a decisão do cessar-fogo remata a ideia de uma vitória militar. Porém, as últimas sondagens mostram que mais de 60% dos Israelitas consideram este cessar-fogo como uma derrota para Israel.

Este descontentamento foi corroborado por membros do executivo do próprio Netanyahu, como o Ministro de Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir. Segundo a maioria dos Israelitas, Netanyahu não conseguiu cumprir nenhum objectivo inicialmente estabelecido, especialmente criar um ambiente de segurança para proporcionar o retorno de mais de 100 mil cidadãos às suas residências no norte ou neutralizar o Hezbollah. Netanyahu também não conseguiu conquistar ou ocupar nenhuma povoação libanesa no sul, apesar da intensidade na campanha da invasão terrestre desde o início de Outubro. E, ponto cada vez mais realçado, o Primeiro-ministro Israelita falhou no resgate dos cerca de 100 reféns que continuam retidos pelo Hamas em Gaza. Esperam-se, portanto, tempos muito complicados para Netanyahu conseguir permanecer no poder enquanto a insatisfação do seu povo vai aumentando.

Por seu lado, o Líbano terá grandes obstáculos para erguer-se de novo: quase 4 mil mortos (incluindo 200 crianças), mais de 1.5 milhões de pessoas internamente deslocadas e pelo menos 36 hospitais danificados e 8 totalmente fora de serviço, num país sem Presidente há mais de dois anos e com uma economia em queda livre. Apesar da promessa de ajuda por parte do Hezbollah (à imagem do que tinha sucedido também em 2006), os Libaneses necessitarão de bastantes investimentos para a reconstrução de milhares de edifícios residenciais e comerciais e de muito tempo para a reabilitação do seu país. Espera-se nos próximas dias o retorno de milhares de famílias Libanesas às suas residências (ou o que resta delas) no sul e Vale do Bekaa (as duas regiões mais fustigadas pelos bombardeamentos Israelitas.

Joe Biden afirmou que este cessar-fogo terá de ser permanente. Contudo, tanto o Hezbollah como o executivo de Netanyahu continuam activos e em qualquer altura poderão reactivar a guerra. Mas para já, ambos os países poderão respirar de alívio.

João Sousa, e-Global

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