Gaza: OMS estima que reconstruir o sistema de saúde exigirá mais de 7 mil milhões de dólares

Com as negociações a decorrer no Egipto para alcançar um acordo de cessar-fogo em Gaza e libertar os reféns, as agências das Nações Unidas já se preparam para a difícil tarefa de reconstrução do território devastado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), serão necessários mais de 7 mil milhões de dólares para reconstruir o sistema de saúde palestiniano, destruído por quase dois anos de bombardeamentos israelitas.

De acordo com a diretora regional da OMS para o Mediterrâneo Oriental, Hanan Balkhy, este investimento “é essencial para restaurar a paz e a estabilidade que a saúde pode proporcionar”. O montante inclui tanto a ajuda humanitária e o apoio imediato como os necessários a médio e longo prazo. No total, mais de 53 mil milhões de dólares serão necessários para reconstruir Gaza, segundo uma avaliação conjunta das Nações Unidas, União Europeia e Banco Mundial.

A OMS sublinha que apenas 14 dos 36 hospitais da Faixa de Gaza estão parcialmente operacionais, devido à escassez de eletricidade, água potável e medicamentos. Dos 176 centros de saúde primários, apenas um terço funciona parcialmente. Mais de 1.700 profissionais de saúde perderam a vida desde outubro de 2023, e as infraestruturas hospitalares têm sido alvo repetido de ataques.

A responsável da OMS destacou que a reconstrução “deve começar pelas pessoas”, com a formação de novos profissionais, a recuperação das escolas de medicina e o regresso dos que foram forçados a fugir. Enquanto isso, a organização mantém operações no terreno, fornecendo medicamentos, equipamentos e apoio a milhões de pacientes, apesar dos riscos e das interrupções constantes.

De acordo com o Centro Satelital das Nações Unidas (UNOSAT), 83% dos edifícios da Faixa de Gaza estão danificados ou destruídos, com mais de 41 mil estruturas afetadas. A guerra entre Israel e o Hamas, iniciada em outubro de 2023, deixou o enclave em ruínas e milhões de pessoas deslocadas — e a reconstrução, alerta a OMS, será “um desafio geracional”.

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