A madrugada deste domingo foi marcada por violentas explosões na sequência de ataques aéreos por parte de caças militares israelitas no sul do Líbano e pela resposta quase imediata do Hezbollah, que momentos depois anunciou a retaliação oficial contra o estado Israelita pelo assassínio do alto comandante do grupo xiita Fuad Shukr, ocorrido em Beirute no final do mês passado.
De acordo com fontes oficiais do Hezbollah, esta operação, que visa neutralizar vários pontos militares estratégicos dentro do território israelita, junto da fronteira com o Líbano, poderá levar algum tempo a ser concluída. Entretanto, Israel avisou os cidadãos libaneses que ataques devastadores serão efectuados no sul, com potencial riscos para outras regiões no Líbano.
Para já, mais de 320 mísseis e vários drones suicidas foram lançados pelo Hezbollah contra Israel, causando danos consideráveis nalgumas localidades israelitas, inclusive na cidade costeira de Acre, onde foram registadas falhas de energia e electricidade. Israel anunciou estado de emergência para as próximas 48 horas e implementou várias medidas de segurança, incluindo limitar a movimentação de civis em zonas urbanas entre a fronteira com o Líbano e o centro urbano de Tel Aviv e cancelar actividades escolares nas zonas perto de Haifa.
O aeroporto Ben Gurion terá também todos os seus voos de ida e vinda suspensos enquanto durar esta ofensiva militar por parte do Hezbollah.
Esta escalada significativa de violência surge após mais de uma semana de negociações para um acordo de cessar-fogo em Gaza, cujos resultados não são animadores; Israel permanece num impasse, sem querer abdicar da sua presença militar em Gaza ou desocupar o Corredor Philadelphi, a faixa terrestre entre o Egipto e Gaza, e ambos o Irão e o Hezbollah têm estado sob pressão para lançar os seus ataques retaliadores contra o Estado Israelita já há mais de três semanas.
Apesar das tentativas do Qatar e o Egipto em pressionar os EUA e Israel a aceitar os termos que poderão determinar o fim do conflito, tudo parece indicar que o Médio Oriente estará prestes a assistir ao início de uma guerra total.
João Sousa, e-Global