A Faixa de Gaza enfrenta uma crise humanitária sem precedentes. Desde 2 de Março, há um bloqueio total à entrada de ajuda – incluindo alimentos e medicamentos –, tornando a penúria extrema uma realidade diária para os 2,1 milhões de habitantes. Segundo o UNRWA e outras fontes da ONU, mais de 90% da população foi deslocada, com cerca de 22% a viver em situação de fome catastrófica (IPC Fase 5) ou emergência (Fase 4), e quase 71 000 crianças com menos de cinco anos com risco de desnutrição aguda nos próximos meses.
A imprensa internacional e agências das Nações Unidas relatam que Gaza se transformou num “inferno na Terra”: milhares de mortes ocorrem simplesmente na tentativa de obter alimentos — estima-se que cerca de 1 000 pessoas morreram desde Maio em buscas por comida, e outras 800 em acções relacionadas com a ajuda humanitária. O colapso dos sistemas eléctricos, de água e saúde agravou dramaticamente a situação: apenas 40% das instalações de água funcionam, as reservatórias operam com falhas, e os hospitais operam em geradores que estão à beira da falência.
A situação das crianças é particularmente alarmante. Estima-se que já tenham morrido mais de 17 000 crianças na sequência do conflito — uma média diária de 28 mortos —, enquanto mais de 33 000 ficaram feridas. A UNICEF alerta que os centros de tratamento de desnutrição registam uma média de mais de 100 admissões diárias de menores com malnutrição grave, num colapso completo do sistema de saúde.
A ONU e organismos humanitários exigem o fim imediato do bloqueio e a abertura de corredores humanitários. O representante da WHO chamou o conflito de “massacre silencioso” e denunciou ataques direcionados a infraestruturas sanitárias, incluindo armazéns e residências da Organização Mundial de Saúde em Deir al-Balah, prejudicando gravemente a capacidade de resposta médica no território