Israel bombardeia Beirute de novo e ameaça uma nova grande guerra

O exército Israelita efetuou uma operação de ataques aéreos na noite de quinta-feira passada em zonas residenciais em Beirute e também no sul do Líbano com bombardeamentos devastadores. Os ataques Israelitas destruíram por completo 115 residências e danificaram seriamente mais de 874 lares e 177 estabelecimentos comerciais, naquela que foi a ofensiva mais destrutiva na capital Libanesa desde o início do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah em novembro passado.

Antes dos bombardeamentos, o porta-voz do exército Israelita, Avichay Adraee, ameaçou a população local que Israel iria atingir as suas residências numa publicação na sua conta da rede social X, causando pânico geral e evacuações forçadas em massa, numa altura em que milhares de famílias muçulmanas se preparavam para comemorar o feriado religioso de Eid al-Adha. As estradas encheram-se de veículos com inúmeros cidadãos a tentar escapar a tempo aos ataques iminentes. Foram também avistadas rajadas de metralhadoras em vários pontos de Beirute, disparadas por civis para avisar os locais dos ataques Israelitas.

Minutos depois, Beirute foi atingida por vários bombardeamentos brutais que se ouviram e se sentiram fortemente em áreas circundantes da capital Libanesa, como o Monte Líbano.

Tel Aviv informou que estes ataques visavam bases e fábricas do Hezbollah escondidas subterraneamente para produção de drones militares destinados a atacar Israel. Porém, estas alegações foram negadas pelo governo Libanês, cujo exército efetuou inspeções nas zonas afetadas pelos bombardeamentos e garantiu que nada havia sido encontrado. Estas buscas iniciais tiveram seguimento no curso do fim de semana e incluíram escavações até 10 metros de profundidade, provando que as acusações Israelitas não tinham fundamento.

Israel bombardeou também dois pontos em Ain Qana, no sul do Líbano, sob o mesmo pretexto, alegando que o Hezbollah se encontrava clandestinamente a fabricar drones militares naquelas zonas.

Para além dos bombardeamentos, houve chamadas telefónicas anónimas para alguns municípios no sul e no distrito de Hermel, a nordeste do Líbano, com ameaças de ataques iminentes contra residências específicas. Várias famílias Libanesas foram forçadas a rapidamente evacuar as suas casas pelas autoridades locais e pouco depois diversas estradas foram cortadas e bloqueadas por membros do exército, paramédicos e bombeiros que permaneceram vigilantes nas zonas críticas durante várias horas.

A e-Global contactou uma família Portuguesa residente na vila de Maarakeh, no sul do Líbano, que informou que quatro casas tinham recebido ordem de evacuação, num clima de pânico e tensão entre os civis. Contudo, as autoridades locais concluíram que os telefonemas anónimos resumiram-se a falsas ameaças com o intuito de aterrorizar as populações.

No rescaldo da noite devastadora de quinta-feira, Joseph Aoun, o Presidente Libanês, condenou os ataques Israelitas em Beirute, e criticou também o papel dos EUA na sua cumplicidade para com os crimes de guerra Israelitas. Aoun rematou ainda que, apesar das ameaças e agressões por parte de Tel Aviv, o Líbano não se irá render.

Israel, por seu lado, após confirmar que esta ofensiva tinha sido efetuada com o aval e coordenação com o governo Norte-americano, ameaçou novos ataques em território Libanês num futuro próximo. De acordo com o ministro de defesa, Israel Katz, haverá uma escalada de intensidade e destruição na capital Libanesa enquanto o Hezbollah não for totalmente desarmado. Contudo, segundo o governo Libanês, o Hezbollah tem sido altamente cooperativo no processo de desarmamento do seu próprio arsenal e na potencial integração com o exército Libanês.

Desde a grande escalada da guerra em Setembro de 2024, mais de um milhão de Libaneses ficaram sem casa e milhares de famílias continuam desalojadas e à espera de recomeçar as suas vidas. Este cessar-fogo tem-se mostrado perigosamente precário, durante o qual Israel já efetuou mais de duas mil violações, inclusive bombardeamentos indiscriminados, assassínios de civis, raptos de pescadores, destruição de casas pré-fabricadas, aniquilação de campos agrícolas e voos ilegais diários de drones no espaço aéreo Libanês.

João Sousa, a partir do Líbano para a e-Global

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