Líbano comemora o primeiro aniversário dos ataques Israelitas dos pagers e walkie-talkies

No dia 17 de Setembro, centenas de pessoas reuniram-se em Beirute e em Tiro (sul do Líbano) para prestar homenagem às vítimas e sobreviventes dos ataques de pagers e walkie-talkies efetuados há um ano atrás, cujas explosões causaram 42 mortos e mais de 3.500 feridos.

Esta operação organizada e levada a cabo pela Mossad, foi considerada um sucesso estratégico-militar estrondoso pelos oficiais Israelitas, que dias depois escalaram a guerra e executaram bombardeamentos devastadores por todo o Líbano, causando centenas de mortos civis e altos comandantes do Hezbollah, entre os quais o seu Secretário-geral Sayyed Hassan Nasrallah.

Os ataques dos pagers e walkie-talkies, preparados com anos de antecedência pela Mossad, que conseguiu ludibriar os oficiais do Hezbollah a confiar na compra destes aparelhos eletrónicos para evitar o uso de telemóveis e Internet e prosseguir com comunicações internas sem serem detetados pela inteligência Israelita. Antes da distribuição dos pagers e walkie-talkies, a Mossad introduziu pequenas doses de explosivos dentro dos dispositivos que nos dias 17 e 18 de Setembro de 2024 foram detonados remotamente.

Apesar do claro sucesso de Israel em neutralizar e eliminar consideráveis números de oficiais do Hezbollah através desta operação, estes ataques foram condenados por diversas organizações humanitárias, como a Amnistia International e Human Rights Watch, e considerados crimes de guerra e até possíveis ações terroristas, visto que a maioria das vítimas eram civis.

Para comemorar o primeiro aniversário deste evento, o Hezbollah organizou uma marcha no centro de Beirute na tarde da passada quarta-feira e uma vigília à noite em Tiro onde participantes exibiram posters a condenar os ataques e a exigir justiça pelas vítimas. Alguns sobreviventes marcaram presença e fizeram discursos comoventes sobre o que lhes aconteceu há um ano.

A e-Global falou com algumas destas pessoas, que incluem Sarah Jaffal, jovem estudante que ficou parcialmente invisual e sem alguns dedos. Sarah já efetuou várias cirurgias delicadas e continua inserida num programa de fisioterapia e reabilitação intensivo. Apesar das cicatrizes irreversíveis, Sarah diz com orgulho que “não sou fraca, vou continuar a lutar. A minha vida não termino com aqueles ataques.” Hassan Bahsoun, outro estudante do sul do Líbano, encontrava-se em casa quando um pager explodiu, cegando-o totalmente. Porém, Hassan continua empenhado nos seus estudos, que resultaram em notas elevadas este ano para a admissão na universidade.

A e-Global falou ainda com Abou Ali Mahdi, pai de duas crianças pequenas, que estava sentado no seu carro quando um pager que tinha perto dele explodiu, causando a perda de parte da sua visão e de dedos em ambas as mãos. Este homem na casa dos 30 anos prossegue com o seu trabalho no sul do Líbano e mantém uma atitude positiva na vida, repleta de momentos passados com a família, apesar da dor e do trauma.

João Sousa, a partir do Líbano para a e-Global

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