A visita do sacerdote católico e DJ Padre Guilherme até ao Líbano para realizar um espetáculo de música ao vivo em Beirute encontra-se envolta em controvérsia.
Um grupo de 18 pessoas, incluindo figuras religiosas Libanesas, interpôs uma ação judicial no dia 4 de janeiro em Beirute, com o objetivo de proibir o concerto. Segundo o documento assinado pelos oficiais cristãos, o concerto do padre Português é considerado “uma violação da moral e dos ensinamentos da Igreja e à distorção da imagem da religião cristã e dos seus ritos”. A festa ao vivo, agendada para este sábado na discoteca AHM, situada na orla marítima da capital Libanesa, será antecedida por uma missa na Universidade do Espírito Santo de Kaslik (USEK).
Esta será a primeira atuação do padre Português no Líbano, nascido em Guimarães em 1974, e que conta com mais de 2 milhões de seguidores nas suas redes sociais. Guilherme é sacerdote desde 1999 e iniciou as suas actividades de DJ na década de 2010 após uma missão no Afeganistão, onde organizou eventos sociais para soldados. Quando regressou a Portugal, o padre Português continuou a organizar festas de música de fusão electrónica, religiosa e folclórica para angariar fundos para a sua paróquia em Laundos, na Póvoa de Varzim. Durante a pandemia, Guilherme fez transmissões semanais de sessões musicais, ficando conhecido internacionalmente como o Padre DJ.
O seu último single, lançado a 1 de Janeiro deste ano, e intitulado “Queremos uma paz sem armas e que desarme”, fará parte do seu espectáculo em Beirute este sábado, numa altura em que o Líbano teme mais uma guerra de grande escala com Israel.
João Sousa, correspondente para a e-Global a partir do sul do Líbano