Médio Oriente: Documentário revela identidade do assassino da jornalista norte-americana Shirine Abu Akleh

O documentário investigativo ‘Quem Matou Shireen?’, difundido pela plataforma de notícias independente Zeteo, revelou a identidade do homem que assassinou a jornalista norte americana/palestiniana Shireen Abu Akleh no campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia, em maio de 2022.

Segundo os repórteres responsáveis pelo documentário de 40 minutos, disponível na internet, Abu Akleh, durante uma reportagem em Jenin para a Al Jazeera, canal para o qual trabalhava desde 1997, e claramente identificada com o colete de imprensa, foi alvejada intencionalmente por um soldado Israelita chamado Alon Scagio.

Inicialmente, Tel Aviv atribuiu o assassínio de Abu Akleh a disparos de balas de combatentes palestinianos que alegadamente se encontravam no local do crime, numa tentativa de descartar qualquer envolvimento no sucedido. Dias mais tarde, polícias israelitas presentes ilegalmente na Cisjordânia interromperam o funeral de Abu Akleh e agrediram membros da família da repórter e vários outros participantes entre os milhares de palestinianos que quiseram prestar uma última homenagem à jornalista. 

Após exigências de organizações de direitos humanos e algumas agências de notícias para que uma investigação detalhada fosse realizada, Israel admitiu a possibilidade de Akleh ter sido sido alvejada acidentalmente, apresentando desculpas pela sua morte. A própria administração Biden havia contemplado que a repórter tinha sido assassinada intencionalmente mas, mais tarde, esta hipótese foi anulada internamente pelo governo norte-americano. Porém, o documentário revela que Biden acabou por desistir de prosseguir com mais investigações após o pedido de desculpas público por parte do governo Israelita – na altura, liderado pelo primeiro-ministro Naftali Bennett.

O processo de investigação efetuado pela equipa de documentaristas da Zeteo não foi fácil, e envolveu contatos intensos com ex-membros da administração Biden e oficiais israelitas, que preferiram manter anonimato, para obter detalhes sobre o assassínio de Abu Akleh. A identidade do responsável pela morte da jornalista acabou por ser revelada num depoimento de um ex-amigo do assassino, que indicou que este lhe tinha dito que havia alvejado uma jornalista. O assassino em questão chamava-se Alon Scagio, um atirador Israelita de 20 anos da unidade Duvdevan. Mais tarde, Scagio foi afastado da unidade pelos seus superiores com o intuito de minimizar especulações sobre o seu envolvimento no crime. Dois anos depois do assassínio de Abu Akleh, Scagio, cujo nome oficial nas forças Israelitas era Alon Sacgiu, foi morto por uma explosão durante uma emboscada organizada por militantes palestinianos na Cisjordânia.

A difusão deste documentário foi considerado um passo importante não só para trazer justiça ao nome de Shireen Abu Akleh mas também para apontar responsabilidades ao método sistemático de assassinar intencionalmente jornalistas usado pelas autoridades israelitas, que entretanto já tirou a vida a mais de 230 repórteres desde o início da guerra com o Hamas em 2023.

João Sousa, a partir do Líbano para a e-Global

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