O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, lançou um forte apelo contra a militarização da inteligência artificial (IA), durante o seu discurso na cimeira do BRICS, realizada no Rio de Janeiro. Sublinhando a urgência de uma resposta multilateral baseada na igualdade e nos direitos humanos, Guterres destacou que a IA está a transformar rapidamente sociedades e economias, e que a sua governação deve envolver todos os países, em especial os em desenvolvimento.
Guterres reiterou a importância de construir uma nova arquitetura global de confiança e cooperação, propondo a criação de um painel científico internacional independente sobre IA no âmbito da ONU. Este painel deverá fornecer orientações imparciais, baseadas em evidência científica, acessíveis a todos os Estados-membros. O dirigente alertou ainda que a IA não pode ser um “clube para poucos”, mas sim uma ferramenta que beneficie toda a humanidade.
No seu discurso, o Secretário-Geral também abordou os conflitos na Palestina e no Sudão, apelando a um cessar-fogo imediato e duradouro em Gaza, à libertação dos reféns e ao fim da violência na Cisjordânia. Em relação ao Sudão, sublinhou a necessidade urgente de silenciar as armas e proteger a população civil, profundamente afectada pela violência.
Guterres aproveitou ainda para destacar os resultados da recente Conferência sobre Financiamento para o Desenvolvimento, em Sevilha, defendendo reformas profundas na governação económica global. Apelou a uma maior participação dos países em desenvolvimento, à reestruturação eficaz da dívida e ao reforço da capacidade de financiamento dos bancos multilaterais.