Angola

Angola: Ministro da Justiça afirma que corrupção teve início no período colonial

Francisco Queiroz

O ministro da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola, Francisco Queiroz, declarou que a corrupção no país começou no período colonial português, uma fase que terá causado mais prejuízos ao território do que após a independência.

A afirmação foi feita nesta segunda-feira, 09 de dezembro, em Luanda, na abertura das Jornadas sobre o Dia Internacional contra a Corrupção, assinalado sob o lema “Combate à Corrupção, Nossa Responsabilidade”. No evento, o governante dividiu, historicamente, em dois momentos a corrupção no país, sendo o primeiro o do período colonial português, até 1975, e o segundo o da pós-independência nacional até à atualidade, onde este crime ocorre em grande escala.

De acordo com o ministro, a corrupção no período colonial confundia-se com o sistema daquela altura, “baseado numa lógica de corrupção violenta de dominação”. Francisco Queiroz disse à imprensa que nessa época foram usados meios violentos e corruptivos de promessas de melhor civilização, de valores morais mais elevados, de cultura superior.

“[Enganaram-nos] para fazer a pilhagem dos nossos recursos, de maneira bastante imoral, do ponto de vista histórico e de todos os princípios”, sublinhou, ajuntando que não existem dúvidas de que daí advieram “prejuízos enormes”.

Para o político, comparando os dois momentos, “claramente o período da colonização” foi aquele que trouxe mais prejuízos, uma vez que “a colonização em si mesmo é um processo de corrupção”, tendo sido “500 anos de corrupção ativa, de espoliação dos recursos, de quebra dos valores morais, de castração da própria personalidade”.

“Os prejuízos foram enormes, ainda hoje nós estamos a pagar e vamos pagar por muito tempo os prejuízos causados, para não falarmos já daqueles períodos de sangria humana, através da escravatura”, acrescentou, concluindo que o novo ambiente pós-colonial “facilitou muito que aqueles mesmos que antes faziam parte do sistema colonial viessem prolongar a sua presença” e “realizar ações junto das autoridades para terem benefícios económicos ou comerciais para seu interesse próprio”.

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