Dados avançados pelas autoridades na noite de ontem, quinta-feira, dia 25, dão conta de que, ao menos, seis portugueses e lusodescendentes morreram nos sismos de quarta-feira na Venezuela.
Duas das vítimas são cidadãos portugueses, enquanto quatro são lusodescendentes, de acordo com fonte oficial do MNE, conforme avançou a Lusa.
Num balanço anterior, o gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas tinha adiantado à Lusa que pelo menos dois lusodescentes tinham morrido nos sismos e que 56 estão dados como desaparecidos.
O presidente do Governo da Madeira tinha afirmado ter conhecimento, através de contactos pessoais, da morte de pelo menos dois cidadãos lusodescendentes com ligações à região autónoma, na sequência dos sismos na Venezuela.
Antes, o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal tinha declarado que um homem português tinha sido retirado dos escombros ainda com vida, mas acabou por morrer a caminho do hospital, e que cinco cidadãos nacionais, quatro dos quais da mesma família, estavam desaparecidos.
O número de mortos no duplo sismo que atingiu a Venezuela na quarta-feira subiu para pelo menos 188, há mais de 1.500 feridos e estão pelo menos 147 pessoas desaparecidas, segundo balanço oficial provisório.
O primeiro sismo de magnitude 7,2 ocorreu a cerca de 200 quilómetros de Caracas, seguido por um segundo de magnitude 7,5 e por cerca de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos. Os tremores foram sentidos também na Amazónia brasileira.
As autoridades venezuelanas decretaram “estado de emergência”.
Portugal e outros sete países da União Europeia vão enviar equipas de busca e salvamento para a Venezuela.
Famílias incontactáveis
Durante as últimas horas, a Agência Incomparáveis contacto diversas fontes na Venezuela. Todas mostraram preocupação com a situação, embora estejam em segurança. De acordo com essas mesmas fontes, cidades inteiras foram atingidas e destruídas. Regiões onde viviam diversos portugueses e lusodescendentes contavam com prédios destruídos, dificultando o contacto entre amigos e familiares portuguesas ou de raízes lusas.
O conselheiro das comunidades portuguesas Fernando Campos revelou que já está em Portugal, onde, em Lisboa, o Conselho Permanente do Conselho das Comunidades Portuguesas (CP/CCP) realiza, entre os dias 29 de junho e 1 de julho, a sua reunião anual de trabalho, numa iniciativa que assinalará também os 45 anos de existência do órgão consultivo do Estado português para as questões da emigração e das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo. Fernando disse que viajou mais cedo para a Europa, mas que o seu voo seria precisamente durante este caos em que está mergulhado o país sul-americano. Fernando sublinhou que a sua família, como a esposa, estão em solo luso, em segurança, mas não tem ainda notícias sobre o real estado da sua moradia.
Outro conselheiro das comunidades, Leonel Moniz, não escondeu que o susto foi grande em todo o país. Embora esteja também seguro, reiterou que há regiões com muita destruição e que muitos portugueses residentes no país perderam contacto com familiares.
O jornalista lusodescendente Marcos Ramos Jardim, que colabora com a Agência Incomparáveis, desde a Venezuela e Caraíbas, contou que a conexão via Internet ainda funciona, embora instável e que tem notícias de que muitos portugueses estão desaparecidos.
A Presidência da República divulgou na sua página na Internet que António José Seguro foi “informado da morte de seis membros da comunidade portuguesa e lusodescendente na Venezuela” à chegada a Miami, nos Estados Unidos, onde irá estar nos próximos dias para acompanhar a seleção nacional de futebol que compete no Mundial2026.
“O chefe de Estado lamentou estas mortes e expressou as suas sentidas condolências às famílias enlutadas, desejando que as tentativas de contacto em curso com os portugueses e lusodescendentes ainda desaparecidos tragam as boas notícias que todos esperam”, pode ler-se.
Por sua vez, o Ministério da Saúde do Brasil afirmou estar em contacto com a Venezuela para enviar ajuda com insumos e pessoal da área da saúde para o país vizinho. O ministro da Saúde brasileiro, Alexandre Padilha, informou que manteve contacto com o Ministério da Saúde da Venezuela para definir o envio de ajuda ao país.
“Desde ontem pela noite, seguindo diretrizes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fizemos contacto com a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e Ministério da Saúde do nosso país vizinho colocando-nos a disposição para qualquer ação humanitária”, disse o ministro, nas redes sociais.
A assessoria do ministério no Brasil completou que ainda não houve pedido oficial de ajuda da Venezuela.
Apurámos ainda que o governo do Brasil articula o envio de uma equipa técnica da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para apoiar as operações de busca e resgate às vítimas do terremoto que atingiu a Venezuela na noite da última quarta-feira (24). A iniciativa está a ser coordenada entre a Anatel, o Ministério das Comunicações e o Ministério das Relações Exteriores (MRE).
A missão utilizará equipamentos de monitorização de espectro “capazes de identificar e localizar sinais emitidos por dispositivos de telecomunicações, como sinais de telemóveis, tecnologia que pode auxiliar equipas de resgate na localização de sobreviventes em áreas atingidas por desastres naturais”.
Os mesmos equipamentos já foram empregados pela Anatel em operações de resposta a emergências no Brasil, como deslizamentos de terra e outras ocorrências de grande impacto, “contribuindo para ampliar a capacidade de localização de vítimas em regiões de difícil acesso”.
“As telecomunicações também cumprem uma missão humanitária. A tecnologia desenvolvida e utilizada no Brasil pode apoiar operações de busca em situações críticas, reforçando a cooperação internacional e colocando nossa capacidade técnica a serviço da proteção da vida”, frisou.
Nas redes sociais, Lula da Silva reafirmou que “conversei por telefone com a presidenta encarregada da Venezuela Delcy Rodríguez para prestar a solidariedade do governo brasileiro à população venezuelana vitimada pelos terremotos da quarta-feira e definir a melhor forma de prestarmos apoio ao país vizinho”.
“Vamos enviar, nesta sexta (26) pela manhã, uma missão humanitária de busca e resgate urbano, em avião KC-390 da FAB, que sairá do Aeroporto de Guarulhos, com 36 bombeiros dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e outros quatro técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações. Com eles vão nove toneladas de equipamentos para ajudar na busca e socorro às vítimas. No sábado, enviaremos mais um voo com equipamentos para a montagem de um hospital de campanha, cem purificadores de água com painel solar, medicamentos e material médico para cirurgias. Seguiremos acompanhando o desenvolvimento dos trabalhos de socorro às vítimas para prestar todo o apoio necessário aos nossos irmãos venezuelanos”, escreveu o chefe de Estado brasileiro.
Segundo o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, a atuação demonstra como a infraestrutura e o conhecimento técnico do setor de telecomunicações podem contribuir diretamente para salvar vidas.
O Ministério de Relações Exteriores (MRE) do Brasil também confirmou nesta quinta-feira (25) a morte de dois brasileiros após os terremotos na Venezuela, na quarta-feira (24).
Ígor Lopes