O Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) informou que entregou “um relatório ao Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas”, antes da Revisão Periódica Universal do país, prevista para Janeiro de 2025, no qual detalhou “uma série de ataques físicos e verbais contra jornalistas, detenções arbitrárias e assédio legal na Guiné-Bissau”.
Esta quarta-feira, 4 de dezembro, a organização apelou à responsabilização das “agressões policiais aos jornalistas Carabulai Cassamá e Turé Silva”, jornalistas guineenses que cobriam um evento dos estudantes no Ministério da Educação Nacional.
Segundo a organização, Carabulai Cassamá, repórter da rádio Capital FM, disse que ”cerca de 10 agentes o espancaram com bastões, pontapearam-no, deram-lhe murros e pisotearam-no. Ele caiu inconsciente durante a agressão e sofreu uma perna partida”.
O jornalista disse ainda ao CPJ que o oficial da polícia responsável o reconhecera no momento da agressão, no quadro da cobertura de protestos precedentes. Quando Cassamá explicara que estava apenas a fazer o seu trabalho como jornalista, o agente da polícia respondeu: “Nós ensinamos-te o trabalho”. Tendo os agentes da polícia confisca o telemóvel, o gravador, o tripé e o relógio de pulso de Cassamá, que ainda não foram devolvidos.
No mesmo dia, como refere o Comité para Proteção de Jornalistas, um agente da polícia abordou o repórter Turé da Silva da Rádio Sol Mansi, e exigiu que entregasse o telemóvel que o jornalista utilizava para gravar imagens do protesto. Perante a recusa de ré da Silva, o agente da polícia agrediu-o na face e mais três outras pessoas juntaram-se à agressão do jornalista. O telemóvel de Turé da Silva foi devolvido mais tarde do mesmo dia.
O Comité para a Protecção dos Jornalistas (CPJ) disse ter contactado o Secretário de Estado da Ordem Pública, José Carlos Macedo Monteiro, que limitou-se a reconhecer que “não estava autorizado a comentar”.
Mamandin Indjai