A missão de alto nível da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) que se encontra no país para apoiar actores políticos na saída a crise está a fracassar após a Coligação PAI-Terra Ranka ter declinado o encontro com a missão por discordar com a exclusão das facções do PRS e MADEM-G15 lideradas pelo Fernando Dias e Braima Camará respectivamente.
Na missiva enviada à representação da organização sub-regional em Bissau, esta segunda-feira, 24, a PAI-Terra Ranka destaca que Satu Camará “usurpou” as funções do Presidente da Assembleia Nacional Popular (ANP), sendo igualmente uma das razões que motivaram a sua tomada de posição.
Também, a Coligação chefiada por Nuno Gomes Nabiam, escrevera à representação da CEDEAO protestando sobre a exclusão da Aliança Patriótica Inclusiva – Cabas Garandi nos encontros da missão com actores políticos guineenses.
A missão de “alto nível” da CEDEAO chegou a Bissau este domingo, 23 de Fevereiro, e permanecerá no país até sexta-feira, dia em que deverá pronunciar-se sobre os contactos realizados com os atores políticos e a sociedade civil guineenses.
A oposição guineense permanece inflexível de o 27 de Fevereiro como a data que marca o fim do mandato do Presidente Umaro Sissoco Embaló, uma data em que a missão da CEDEAO ainda se encontrará em Bissau.
Sobe a tensão com o aproximar do 27 Fevereiro
Após uma posição comum, assinada num hotel de Bissau pelas Coligações políticas da oposição, juntamente com algumas organizações da Sociedade Civil, a tensão disparou com o aproximar de 27 Fevereiro.
Apesar de ainda não terem sido reveladas iniciativa concretas de protesto, nos bastidores referem a possibilidade de uma pressão nas ruas dinamizada pelas organizações da Sociedade Civil, iniciativa da qual dessolidarizou-se o Movimento Nacional.
Está prevista também, dinamizada pelos partidos da oposição e a Sociedade Civil, uma paralisação nos dias 27 e 28, que apelaram aos funcionários públicos a aderirem massivamente.
De fiel aliado a opositor radical de Sissoco Embaló
No momento da assinatura da Declaração Conjunta, ex aliados de Sissocó Embaló não poupara acusações contra o Presidente, entre este, Nuno Nabian, ex-primeiro ministro de Sissoco Embaló e quem legitimara a sua tomada de posse como chefe de Estado.
Na qualidade de Coordenador da API-Cabas Garandi, Nuno Nabian disse que não tem dúvidas que, no dia em que Umaro Sissoco Embaló deixar o poder na Guiné-Bissau, vai de imediato para a prisão.
“Vocês não têm noção da cumplicidade de Sissoco Embaló acham que só engana as pessoas a nível do país. Os compromissos dele no exterior e as pessoas que ele enganou no exterior é maior. Portanto, no dia em que ele sair numa manhã, à tarde volta para a prisão, porque enganou muita gente. Vocês não têm noção do nível”, disse o ex primeiro-ministro de Sissoco Embaló.
Para sustentar as suas declarações, Nuno Nabian evocou a questão das duas aeronaves retidas em Bissau. “Quando as duas aeronaves chegaram ao país, denunciamos que se tratava de negociatas de Umaro Sissoco Embaló. Até à data presente, não nos disseram nada sobre aqueles aviões. Acham aceitável continuarmos calados ou a ter um Presidente da República que faz negócios obscuros?”, questionou, Nuno Nabian.
Para Geraldo Martins, vice-Presidente do PAIGC, a Declaração Conjunta não era necessária, porque existem pressupostos legais em democracia. “Infelizmente tivemos um grupo de pessoas que decidiram ignorar tudo isso. A função do Presidente da República é defender a Constituição. Este presidente decidiu simplesmente violar. Violou com o derrube do parlamento em menos de 12 meses violando grosseiramente a Constituição”.
Indiferente às criticas e acusações dos sues opositores, o Presidente da República Umaro Sissoco Embaló após ter recebido o Primeiro-ministro senegalês, Ousmane Sonko, disse que vai brevemente produzir um Decreto sobre as eleições. “Vou produzir o Decreto e marcarei eleições para 30 de Novembro, como diz a Constituição da República. A segunda volta será em Dezembro e se eu for o vencedor, voltarei a tomar posse no dia 27 de Fevereiro”, disse aos jornalistas no Palácio da República.