No meio de uma grave crise política na Guiné-Bissau, o chefe de Estado guineense Umaro Sissoco Embaló viajou para Rússia numa vista de Estado, quando faltam cerca de 24 horas para o fim de seu mandato, como defende a oposição, uma posição contrariada pelo Supremo Tribunal de Justiça que considera que o mandato termina a 4 de Setembro.
A oposição guineense sob orientação de duas Coligações políticas, PAI-Terra Ranka e a Aliança Patriótica Inclusiva (API – Cabas Garandi), numa única frente com o movimento cívico Frente Popular, mantém-se inflexível em que a data do término do mandato presidencial é a 27 de Fevereiro.
Perante o apelo a paralisação total lançado pela oposição, o Secretário de Estado da Ordem Pública, José Carlos Monteiro Macedo, anunciou esta terça-feira 25 Fevereiro de que será aplicada “tolerância zero” a qualquer tipo de actividade que possa “pôr em causa a ordem pública”.
“Cada um pode fazer o seu comentário em relação ao fim de mandato do Chefe de Estado, mas a Polícia da Ordem Pública vai cumprir o seu papel de garantir segurança a todos no exercício das suas funções”, disse o Secretário de Estado.
Para o José Carlos Monteiro Macedo há um político está “a enganar o povo na diáspora de que o país não tem estabilidade, e a instigar os jovens para criarem desordem, mas que a mesma pessoa abriu, recentemente, três supermercados em Bissau”, disse sem citar nomes.
SINJOTECS preocupado com segurança dos jornalistas
Com a radicalização das posições e aumento da tensão o Sindicato dos Jornalistas e Técnicos de Comunicação Social da Guiné-Bissau (SINJOTECS) expressou sua preocupação em relação “à segurança dos jornalistas e técnicos de comunicação social” durante as possíveis manifestações políticas a partir de 27 de Fevereiro.
Para o SINJOTECS “a liberdade de imprensa e a segurança dos jornalistas são direitos constitucionais que devem ser respeitados em qualquer circunstância, especialmente em eventos de grande mobilização social”, neste sentido, a organização presidida pela jornalista Indira Correia Baldé apelou para que “o Ministério do Interior tome todas as providências necessárias para que os jornalistas possam cobrir a manifestação sem receio de sofrer represálias, abusos ou qualquer forma de violência, e que a actuação da polícia e outras forças de segurança seja pautada pelo respeito à liberdade de expressão e à integridade física dos profissionais da mídia”, lê-se num comunicado do sindicato.
“Considerando o papel fundamental da imprensa na cobertura de eventos públicos e manifestações, solicitamos às autoridades competentes, em especial ao Ministério do Interior, que garantam a protecção adequada e a segurança dos profissionais de comunicação, assegurando que possam exercer sua função de forma livre, sem ameaças ou intimidações”, refere o mesmo documento.
O Sindicato reforça ainda no Comunicado “a necessidade de os jornalistas e técnicos de comunicação social adoptarem as precauções de segurança adequadas e manterem uma actuação responsável e ética na cobertura dos factos”.
“O sucesso de uma cobertura segura depende da colaboração mútua entre a imprensa e as autoridades responsáveis pela manutenção da ordem pública. O Sindicato continuará a acompanhar de perto a situação, buscando sempre garantir a protecção e a liberdade de actuação dos jornalistas”, sublinha o SINJOTECS.