Um novo relatório do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) conclui que a transição da Gâmbia para as energias renováveis só será plenamente bem-sucedida se as mulheres forem reconhecidas como parceiras em igualdade de condições. Elaborado em parceria com o Ministério do Género, da Infância e do Bem-Estar Social da Gâmbia e com financiamento dos Fundos de Investimento Climático (CIF), o estudo apresenta uma estratégia e um plano de ação para o período 2026-2030, destinado a fortalecer a participação feminina no setor energético.
O relatório revela que a pobreza energética afeta de forma desproporcionada às mulheres, sobretudo nas zonas rurais. Cerca de 90% dos agregados familiares continuam a depender da lenha e do carvão para cozinhar, enquanto apenas 1,7% da população tem acesso a combustíveis e tecnologias de cozinha limpa. O acesso à eletricidade também permanece desigual, abrangendo aproximadamente 85% da população urbana, mas apenas entre 35% e 40% dos habitantes das áreas rurais. Além disso, as mulheres ocupam apenas cerca de 1% dos postos de trabalho na Companhia Nacional de Água e Eletricidade da Gâmbia (NAWEC).
Entre as principais barreiras identificadas estão o acesso limitado ao financiamento, à formação, à terra e aos mercados, bem como normas sociais e culturais que dificultam a participação feminina no setor. O plano medidas para fortalecer as políticas públicas, aumentar a formação técnica através de bolsas de estudo e programas de mentoria, facilitar o acesso ao crédito e promover tecnologias de energia limpa adaptadas às necessidades das mulheres, além de incentivos uma maior participação feminina propõe nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática.
A gestora de Género e Empoderamento das Mulheres do Banco Africano de Desenvolvimento, Nathalie Gisabo Gahunga , afirmou que o objectivo é garantir que as mulheres e raparigas participem na igualdade de condições em todas as fases da transição energética. Já representantes do Governo Gambiano defendem que a integração da perspetiva de género deve tornar-se uma prioridade em todos os projetos de energia renovável, considerando que uma transição energética inclusiva é essencial para o desenvolvimento sustentável e para a redução das desigualdades no país.