Israel ataca Beirute e mata quatro civis

Esta terça feira ao fim da tarde, Israel lançou um ataque de drone que atingiu um prédio residencial num bairro em Dahyeh, distrito sul da capital libanesa, que matou quatro civis, duas mulher e duas crianças, e fez mais de 70 feridos.

Centenas de pessoas reuniram-se perto do local após serem abaladas pela explosão resultante do ataque, que ecoou por toda a cidade, para observar os danos causados no edifício atingido enquanto dezenas de ambulâncias transportaram os feridos para os hospitais nas imediações, num clima de grande confusão e emoções fortes.

Membros do Hezbollah limitaram o movimento dos jornalistas no local, uma área altamente controlada e vigiada, e o exército libanês estacionou veículos e tanques militares nas ruas circundantes.

O alvo principal deste ataque israelita era Fuad Shukr, alto comandante do Hezbollah e o braço direito do Secretário-Geral Sayyed Hassan Nasrallah, ao serviço do grupo xiita desde há mais de 40 anos. O executivo de Benjamin Netanyahu declarou que Shukr esteve por detrás da organização do ataque em Majdal Shams no sábado passado, quando um míssil matou 12 crianças Sírias na região ilegalmente anexada e ocupada por Israel, embora ainda não haja provas da verdadeira autoria do incidente.

Esta foi a segunda vez este ano que Israel efectuou um ataque de drone de alta precisão em Beirute, tendo no início de Janeiro assassinado o segundo líder do Hamas, Saleh al-Arouri, também em Dahyeh.

Segundo Israel, o ataque de drone desta terça-feira matou Shukr, embora o Hezbollah não tenha ainda confirmado esta informação. Shukr tinha a cabeça a prémio na página web oficial do Governo Norte-Americano intitulada ‘Recompensas pela Justiça’, onde qualquer pessoa que informasse sobre o paradeiro do comandante do Hezbollah seria recompensada com 5 milhões de dólares.

Esta operação foi celebrada por vários oficiais israelitas, incluindo o Ministro de Defesa Yoav Gallant, que afirmou que o sangue do povo israelita tem um preço e que não há nenhum lugar fora do alcance das forças militares para cumprir vingança. Kamala Harris, a Vice-Presidente dos EUA, também reagiu aos acontecimentos em Beirute, declarando que apoia inequivocamente o direito de Israel de se defender, em particular contra o Hezbollah.

Por outro lado, a coordenadora especial da ONU para o Líbano Jeanine Hennis-Plasschaert mostrou sérias preocupações após o ataque israelita contra a capital Libanesa e avisou que a solução para a situação corrente não passa por um conflito militar.

Segundo Israel, este ataque representa o desfecho nesta fase da guerra e que não há intenções de escalar o conflito. Contudo, o Hezbollah promete retaliações, sem avançar com detalhes precisos dos seus próximos passos.

O clima continua bastante tenso na capital Libanesa, com diversas embaixadas a aconselhar os seus cidadãos a sair do Líbano o mais rapidamente possível e várias companhias aéreas cancelaram voos para Beirute, enquanto a população vai gradualmente temendo uma escalada para uma guerra total com Israel.

João Sousa, e-Global

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